Ex-embaixador britânico nos EUA envolvido com Epstein é preso em Londres
Ex-embaixador britânico envolvido com Epstein é preso

Ex-embaixador britânico nos EUA envolvido no caso Epstein é detido pela polícia

O diplomata Peter Mandelson, ex-embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, foi detido pela polícia nesta segunda-feira, 23 de fevereiro, em sua residência em Londres, conforme informações divulgadas pela emissora britânica BBC. A prisão ocorre no contexto de uma investigação criminal que se intensificou após a revelação de documentos vinculados ao notório caso do predador sexual Jeffrey Epstein.

Investigação aprofunda ligações com criminoso

Mandelson é investigado por autoridades britânicas desde o início deste mês, quando arquivos públicos mostraram conexões preocupantes entre o político e Epstein. Os documentos incluem extratos de pagamentos feitos pelo criminoso ao ex-embaixador e revelam que Mandelson teria informado Epstein sobre alterações na política fiscal do Reino Unido. Além disso, uma foto controversa mostra o político de cuecas ao lado de uma mulher, ampliando as questões sobre sua conduta.

A Polícia Metropolitana emitiu um comunicado confirmando a detenção: "Agentes prenderam um homem de 72 anos sob suspeita de má conduta em cargo público. Ele foi preso em um endereço em Camden na segunda-feira, 23 de fevereiro, e levado para uma delegacia de polícia em Londres para interrogatório. A prisão ocorreu após mandados de busca e apreensão em dois endereços nas áreas de Wiltshire e Camden".

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Trajetória política e queda

Peter Mandelson iniciou sua carreira política trabalhando para o Partido Trabalhista na década de 1980, desempenhando um papel fundamental na vitória esmagadora de Tony Blair nas eleições de 1997. Foi nomeado embaixador britânico nos EUA em dezembro de 2024, mas sua amizade com Epstein já era conhecida antes da nomeação. Em setembro passado, foi demitido do cargo após o governo britânico afirmar que novas informações sobre a profundidade desse relacionamento haviam surgido.

O caso coloca mais pressão sobre o primeiro-ministro Keir Starmer, que já enfrenta baixa popularidade e vê sua credibilidade ainda mais criticada por ter nomeado Mandelson, membro de seu próprio partido. Na semana passada, Starmer afirmou que "jamais abandonarei o mandato que me foi confiado", tentando conter os danos políticos.

Documentos revelam colaboração ativa

O material exposto pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos mostra Mandelson atuando ativamente em favor de Epstein em diferentes momentos. E-mails datados de 2009, quando Mandelson atuava como secretário de negócios no governo de Gordon Brown, apresentam o político assegurando a Epstein que estava "se esforçando" para mudar a política governamental sobre banqueiros a seu favor.

Outra comunicação, de 2010, mostra Mandelson atualizando o criminoso sobre a campanha contra o imposto de mineração do então primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd. O e-mail revelado mostrava o político britânico encaminhando a Epstein uma mensagem do chefe da mineradora Xstrata, Mick Davis, discutindo a movimentação contra a proposta de tributar em 40% os "super lucros" das empresas de mineração.

Amizade já era conhecida

A amizade entre Mandelson e Epstein já havia sido exposta no ano passado, quando o Congresso Americano apresentou um "livro de aniversário" compilado para o 50º aniversário do criminoso, onde o diplomata britânico o chama de "meu melhor amigo". Posteriormente, a agência de notícias Bloomberg trouxe a público uma série de e-mails trocados pela dupla, mostrando o apoio de Mandelson ao pedófilo, o que levou diretamente à sua demissão como embaixador.

Outras autoridades britânicas investigadas

O caso Epstein continua a envolver outras figuras proeminentes do Reino Unido. Na semana passada, o ex-príncipe Andrew deixou a delegacia após ser preso como parte de investigações de má conduta no exercício de cargo público. Mensagens sugerem que Andrew teria compartilhado relatórios de visitas oficiais a países como Hong Kong, Vietnã e Singapura, além de um suposto documento confidencial sobre oportunidades de investimento na reconstrução da província de Helmand, no Afeganistão.

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Esta detenção marca mais um capítulo no escândalo Epstein, que continua a abalar a elite política britânica e a levantar questões sobre a integridade de figuras públicas em altos cargos governamentais.