Esposa do premiê espanhol enfrenta acusações graves e possível julgamento por júri popular
A Justiça espanhola concluiu nesta segunda-feira, 13 de abril de 2026, a investigação preliminar contra Begoña Gómez, esposa do primeiro-ministro Pedro Sánchez, e considerou existirem provas suficientes para levar o caso a julgamento por júri popular. A decisão judicial representa um momento crucial no processo que envolve a primeira-dama da Espanha em alegações de irregularidades financeiras e abuso de influência política.
Quatro acusações mantidas após investigação detalhada
O magistrado responsável pelo inquérito, Juan Carlos Peinado, rejeitou formalmente o pedido de arquivamento do processo e declarou que não são necessárias investigações adicionais. Em sua decisão, o juiz retirou apenas a acusação de exercício ilegal da profissão, mantendo as outras quatro acusações graves contra Begoña Gómez: tráfico de influência, corrupção em negócios, apropriação indébita e desvio de verbas públicas.
Peinado solicitou que o Ministério Público se manifeste sobre a abertura formal do julgamento e estabeleceu um prazo de cinco dias para que todas as partes envolvidas apresentem seus pareceres sobre a necessidade de o caso prosseguir para a fase de julgamento. A decisão judicial incluiu um detalhamento minucioso das provas reunidas para cada um dos supostos crimes, justificando assim "a continuação do processo" contra a esposa do premiê.
Outros envolvidos também encaminhados a julgamento
Além de Begoña Gómez, o juiz também encaminhou para julgamento outros dois indivíduos diretamente envolvidos no caso. Cristina Álvarez, assessora do gabinete de Pedro Sánchez, enfrenta acusações relacionadas ao possível desvio de fundos através de seu envolvimento nos negócios privados de Begoña Gómez, além de suposto envolvimento nas outras três acusações principais.
O empresário Juan Carlos Barrabés também foi incluído no processo judicial, respondendo por possível tráfico de influência e corrupção. Segundo as investigações, suas empresas teriam se beneficiado da intervenção da primeira-dama após ele ter ajudado Begoña Gómez a estabelecer sua cátedra na prestigiada Universidade Complutense de Madri.
Contexto político e reações à decisão judicial
Este desenvolvimento ocorre em um contexto político altamente sensível na Espanha. Pedro Sánchez chegou a ameaçar publicamente um pedido de renúncia em resposta ao que classificou como uma "operação de assédio e intimidação" por parte de seus opositores políticos contra ele e sua família, incluindo especificamente as acusações contra sua esposa. No entanto, o primeiro-ministro posteriormente recuou dessa posição.
A defesa de Begoña Gómez ainda possui recursos legais disponíveis para tentar evitar o julgamento por júri popular. O principal recurso reside no Tribunal Provincial de Madri, onde já foram interpostos pedidos solicitando o arquivamento completo do processo. Até o momento, a vara criminal que revisa as investigações de Peinado corrigiu o juiz em diversos pontos técnicos, exigindo antes do julgamento a emissão de uma ordem detalhada delineando as provas específicas de irregularidades - exigência que acaba de ser cumprida com a decisão desta segunda-feira.
É importante destacar que, apesar das correções técnicas, os órgãos judiciais superiores sempre permitiram que o cerne do inquérito prosseguisse, indicando que há fundamento substancial nas acusações. O caso agora segue seu curso legal, com a alta probabilidade de se transformar em um julgamento por júri popular que promete manter a atenção da opinião pública espanhola e internacional nas próximas semanas e meses.



