Novos e-mails revelam intimidade entre Noam Chomsky e Jeffrey Epstein
E-mails mostram relação íntima entre Chomsky e Epstein

Novos documentos expõem vínculo íntimo entre Noam Chomsky e Jeffrey Epstein

Uma nova leva de documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos na semana passada trouxe à tona detalhes surpreendentes sobre a relação entre o linguista americano Noam Chomsky, ícone da esquerda mundial, e o financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. As mensagens reveladas contradizem frontalmente declarações anteriores de Chomsky, que insistia em limitar o vínculo a meros assuntos financeiros.

E-mails mostram solidariedade e conselhos estratégicos

Em fevereiro de 2019, Chomsky trocou correspondências eletrônicas com Epstein, nas quais expressou clara solidariedade ao financista pela "forma horrível" como a imprensa e a opinião pública o estavam tratando. Num e-mail específico, Epstein pediu conselhos sobre como lidar com a "imprensa podre", ao que Chomsky respondeu recomendando um perfil reservado.

"O que os abutres desejam ardentemente é uma resposta pública que depois lhes dê abertura para uma enxurrada de ataques venenosos", escreveu o linguista, hoje com 97 anos. Ele acrescentou uma crítica contundente ao clima da época: "Isto é especialmente certo agora, com a histeria que se desenvolveu em torno do abuso de mulheres, que chegou ao ponto em que até mesmo questionar uma acusação é um crime pior que assassinato".

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Relação persistiu após condenação de Epstein

Os documentos confirmam que Chomsky manteve contato com Epstein muito tempo depois da condenação do financista em 2008, por prostituição de menores. Uma imagem divulgada por democratas no Congresso americano mostra os dois sentados lado a lado em um avião, reforçando a proximidade entre eles.

Em 2023, ao ser questionado pelo Harvard Crimson, Chomsky justificou o relacionamento afirmando: "Sabíamos que ele havia sido condenado e cumpriu sua pena, o que significa que retorna à sociedade, segundo as normas vigentes". Essa declaração, no entanto, parece contrastar com o tom de intimidade e apoio evidenciado nos e-mails recentemente revelados.

Contexto do escândalo Epstein

O caso integra a investigação contínua sobre a rede de exploração sexual operada por Epstein, que enriqueceu no mercado financeiro e utilizava sua ilha particular nas Ilhas Virgens Americanas como epicentro dos crimes. Seu avião privado, apelidado de "Lolita Express", era frequentemente usado para transportar convidados até o local.

Epstein foi preso em julho de 2019 em Nova York e encontrado morto em sua cela no mês seguinte, em circunstâncias que permanecem sob escrutínio. As novas revelações sobre Chomsky adicionam mais uma camada de complexidade a um escândalo que já manchou a reputação de diversas figuras públicas e agora atinge um dos intelectuais mais influentes das últimas décadas.

O impacto dessas descobertas na imagem de Chomsky, longamente reverenciado por setores progressistas globais, ainda está por ser completamente avaliado, mas certamente alimenta debates sobre ética, responsabilidade e os limites do convívio social com indivíduos condenados por crimes graves.

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