Diário de 106 páginas é analisado pela polícia no caso da brasileira desaparecida na Inglaterra
Diário de brasileira desaparecida na Inglaterra é analisado pela polícia

Diário de viagem de 106 páginas é peça-chave no caso de brasileira desaparecida na Inglaterra

A Polícia de Essex está analisando um diário de viagem de 106 páginas escrito pela psicóloga cearense Vitória Figueiredo Barreto, de 30 anos, que está desaparecida há duas semanas na Inglaterra. A informação foi divulgada nesta terça-feira (17) por Liliane Além-Mar, professora e amiga de Vitória, na casa de quem a cearense estava hospedada no país.

Em uma transmissão ao vivo, Liliane contou que as 106 páginas do diário de Vitória foram traduzidas para o inglês e já estão com os investigadores. Ela também colaborou esclarecendo algumas dúvidas relacionadas a referências que a polícia não entendeu. Não está claro quando e onde o diário de viagem de Vitória foi achado.

Cronologia dos acontecimentos e novas imagens de segurança

Natural de Fortaleza, Vitória estava viajando fora do Brasil desde o mês de janeiro, quando participou de um congresso e dois cursos no Marrocos. Em seguida, ela chegou à Inglaterra, onde ficou hospedada na casa de amigos. A intenção era participar de atividades científicas e tentar um doutorado. Ela também iria fazer uma viagem à Suécia para visitar um amigo e voltar ao Reino Unido.

Nesta terça, a Polícia de Essex informou que conseguiu novas imagens de câmeras de segurança do porto de Brightlingsea, último local onde há confirmação da presença de Vitória. Os registros mostram a movimentação de embarcações entre 0h e 6h do dia 4 de março, período em que a polícia acredita que Vitória pode ter entrado na área do porto e desamarrado um barco que estava atracado.

Segundo a polícia, há indícios de que Vitória pode ter chegado à área do porto durante a madrugada e desamarrado um barco que estava atracado em um píer. As investigações apontam que a embarcação não teve o motor ligado e, ao longo das horas seguintes, acabou sendo levada pela correnteza, saindo do porto e parando próximo a Bradwell-on-Sea ainda pela manhã.

Falta de imagens conclusivas e apelo por testemunhas

Até o momento, no entanto, não há imagens conclusivas que confirmem que foi a brasileira quem desamarrou o barco. A única confirmação é que Vitória foi vista caminhando sozinha pela região à beira-mar por volta de 0h16, após escalar uma cerca metálica próxima ao local onde a embarcação estava.

A superintendente-detetive Anna Granger fez um apelo para que possíveis testemunhas se apresentem. “Pedimos que qualquer pessoa que estivesse trabalhando no porto de Brightlingsea ou retornando ao local entre meia-noite e 6h procure a polícia”, afirmou.

Acesso ao computador e mobilização de familiares e amigos

O computador da psicóloga foi acessado pela polícia inglesa nesta segunda-feira (16) com a ajuda de senhas informadas pela família da cearense, de acordo com familiares e amigos. O acesso da polícia permitirá que equipes especializadas analisem as informações acessadas pelo dispositivo usado por Vitória, o que pode trazer novos indícios sobre os passos dela antes e depois do desaparecimento.

Familiares e amigos perderam contato com a brasileira na tarde do dia 3 de março, depois que ela saiu do campus da Universidade de Essex em Colchester, a cerca de 90 quilômetros de Londres. Desde então, além da polícia, familiares e amigos têm feito uma intensa mobilização para encontrar a cearense, com cartazes, bandeiras nas janelas e buscas de porta em porta.

A campanha ‘Find Vitória’ (‘Encontre Vitória’, em tradução livre) busca mobilizar brasileiros que estão no Reino Unido a divulgar a imagem de Vitória para um grande número de pessoas que podem ajudar a reconhecê-la. Uma das iniciativas é colocar bandeiras do Brasil nas janelas. A ideia é que, caso Vitória esteja caminhando por algum lugar do Reino Unido, ela possa se sentir segura para pedir ajuda ao reconhecer o símbolo do seu país natal.