Desaparecimento de psicóloga cearense na Inglaterra pode estar conectado a barco desaparecido
O caso do desaparecimento da psicóloga cearense Vitória Figueiredo Barreto, de 30 anos, na Inglaterra, há oito dias, ganhou um novo capítulo com a possibilidade de estar ligado ao sumiço de um barco na região das docas da cidade de Brightlingsea. Segundo a Polícia de Essex, a bolsa de Vitória foi localizada perto de onde a embarcação foi desatracada nas primeiras horas do dia 4 de março, o que abriu uma nova linha de investigação. As informações foram divulgadas pelas autoridades britânicas nesta quarta-feira, 11 de março, intensificando as buscas que agora se estendem para o rio Blackwater, a península de Dengie, a costa do rio Crouch e a Ilha de Mersea, com previsão de continuidade na quinta-feira, 12 de março.
Nova linha de investigação focada em embarcação
Enquanto analisam outras pistas, as equipes policiais voltaram a atenção para um barco que foi desatracado em Brightlingsea na madrugada do dia 4 de março. A embarcação foi retirada da área das docas e posteriormente encontrada à deriva próximo à praia de Bradwell. A polícia considera atualmente que Vitória pode ter sido a pessoa responsável por desatracar esse barco, uma hipótese reforçada por novas imagens que a mostram pela última vez às 0h16 do mesmo dia, próxima às docas, local também próximo onde sua bolsa foi achada e onde uma pessoa foi vista pulando uma cerca em direção a um estaleiro cerca de 12 minutos antes.
"Entre 0h16 e 0h36, quando sabemos que o barco foi desatracado, Vitória não é vista nas imagens e, até esse momento, não há imagens claras e identificáveis da pessoa que desamarrou o barco", explicou a polícia em comunicado. No entanto, as autoridades exploram a possibilidade de que o barco foi levado por Vitória, e as buscas passaram a considerar a rota feita pela embarcação entre Brightlingsea e a região próxima a Bradwell. A superintendente Anna Granger, que lidera as investigações, fez um apelo público: "Gostaria de solicitar que qualquer pessoa com imagens de câmeras de segurança da área do porto que ainda não tenhamos conhecimento as verifique e nos informe. Da mesma forma, aos proprietários de barcos atracados em Brightlingsea, peço que verifiquem suas embarcações. Há algo que não deveria estar lá? Há algo que os leve a crer que alguém esteve em seu barco? Por favor, entrem em contato".
Preocupação com o estado emocional de Vitória
A professora Liliane Silva, que hospedava a cearense Vitória em Southend-On-Sea, relatou alterações de comportamento da psicóloga antes de seu desaparecimento. Em entrevista durante comunicado da Polícia de Essex à imprensa na terça-feira, 10 de março, Liliane revelou que a mãe de Vitória viajou ao Reino Unido devido à preocupação. "Esse nunca foi o comportamento dela. Por isso ficamos tão assustados desde o primeiro segundo. Desde que a mãe dela viu que ela não apareceu para voltar para casa comigo, na mesma hora, ela comprou passagens e veio até aqui, porque isso não é usual", disse Liliane, acompanhada pela mãe e pelo namorado de Vitória.
Liliane foi a última pessoa a ter contato com Vitória antes de ela sair da Universidade de Essex, em Colchester, e tomar um ônibus em direção a Brightlingsea, situada a cerca de 90 quilômetros de Londres. Em entrevistas anteriores, ela já havia indicado que Vitória não estava bem, ressaltando que a psicóloga, normalmente comunicativa e em contato constante com amigos, parecia chateada e passando por dificuldades. "Ela está provavelmente fora de si. Chateada, passando por dificuldade. Nós não sabemos o porquê e nós não queremos julgar agora. Só queremos que ela esteja conosco", completou Liliane.
Em contato com a imprensa, a psicóloga Fernanda Silvestre, que mora com Vitória em Fortaleza, questionou se a cearense, ao pegar a embarcação, poderia estar fugindo de alguém por se sentir ameaçada. Ela reforçou que não acredita que Vitória estava passando por algum tipo de surto, reafirmando que mantinha contato constante com a amiga e que ela não apresentou comportamento diferente nos dias anteriores ao desaparecimento.
Últimos passos antes do desaparecimento
Informações oficiais divulgadas pela Polícia de Essex nesta quarta-feira mostraram novas imagens dos locais das buscas. As autoridades continuam a estimular moradores e trabalhadores de Brightlingsea a checarem imagens de câmeras de segurança para capturar qualquer informação sobre o caso. A cronologia dos eventos inclui:
- 3 de março, por volta das 13h: Vitória, hospedada em Southend-On-Sea com a amiga Liliane Silva, almoçou com ela na Universidade de Essex. Pouco depois das 13h, ela pegou o ônibus 87 próximo à Boundary Road, desembarcando 30 minutos depois na Bellfield Avenue, em Brightlingsea.
- 3 de março, por volta das 14h30: Vitória foi vista por uma câmera de segurança na área de Hurst Green, em Brightlingsea, usando casaco escuro, blusa azul de gola alta, jeans azul claro, tênis preto e carregando uma bolsa branca com a frase "People Over Profit". Uma bolsa semelhante foi encontrada em uma área verde próxima à via Copperas Road, perto do porto, na tarde da última segunda-feira, 9 de março.
- 4 de março, por volta da meia-noite: Imagens de câmera de segurança possivelmente mostram uma pessoa pulando uma cerca em local próximo ao ponto onde a bolsa foi encontrada, indo na direção de um estaleiro próximo ao porto. A polícia acredita que essa pessoa seja Vitória.
- 4 de março, às 0h16: Vitória foi vista pela última vez em nova imagem divulgada, próxima à região das docas, local também perto de onde a bolsa foi achada e da cena da cerca.
Contexto do caso e trajetória profissional
Vitória estava na Inglaterra para visitar a amiga brasileira Liliane, com quem trabalhava em um projeto de pesquisa na Universidade de Essex, em Colchester. No dia do desaparecimento, após almoçar com a amiga, ela deveria se reencontrar com Liliane no fim da tarde, mas não apareceu. A psicóloga cearense tem um vasto currículo na área, com atuação internacional, e a viagem também visava buscar oportunidades de estudo e palestras, com possibilidade de iniciar um doutorado.
Formada em Psicologia Integrativa pela Universidade de Fortaleza (Unifor), Vitória é poliglota e possui especializações como Terapia Familiar Sistêmica e Constelação pelo Instituto Militão, além de atuar como Capelã pela CETEB. Sua carreira é marcada por práticas voltadas à comunidade, incluindo trabalho como instrutora certificada e professora de Terapia Comunitária Integrativa (TCI) e Técnicas de Resgate da Autoestima (TRA) pelo MISMEC 4 Varas, com capacitações reconhecidas no Brasil, América Latina, Estados Unidos e Europa. Ela também atua como consultora da Organização Mundial da Saúde (OMS), colaborando na sistematização da TCI em Lima, no Peru.
Acompanhamento do Itamaraty
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) emitiu nota em 5 de março informando que acompanha o caso por meio do Consulado-Geral do Brasil em Londres. O órgão mantém contato com autoridades locais e com a família da brasileira, prestando assistência consular de acordo com a legislação brasileira e internacional, sem divulgar detalhes por questões de privacidade.
