Golpistas montam delegacia falsa da PF em cassino no Camboja para fraudes internacionais
Delegacia falsa da PF em cassino do Camboja usada em golpes

Complexo de cassinos escondia central de fraudes com delegacia falsa da Polícia Federal brasileira

Um complexo de cassinos localizado na fronteira entre Camboja e Tailândia abrigava uma sofisticada central de golpes online que incluía uma delegacia falsa da Polícia Federal brasileira, conforme revelado por autoridades tailandesas no início de fevereiro. A instalação criminosa estava situada na cidade de O'Smach, no norte do Camboja, região que foi tomada pelo Exército da Tailândia após intensos confrontos entre os dois países no final do ano passado.

Estrutura montada para enganar vítimas internacionais

Durante uma visita organizada para a imprensa nesta quinta-feira, 12 de março de 2026, repórteres encontraram escritórios abandonados com uniformes policiais falsos, roteiros detalhados de golpes, extensas listas de potenciais vítimas e computadores destruídos. Entre os ambientes cuidadosamente montados pelos criminosos estava uma sala que imitava com precisão uma delegacia da Polícia Federal do Brasil, utilizada especificamente para dar credibilidade a fraudes aplicadas contra vítimas estrangeiras.

De acordo com informações fornecidas por militares tailandeses, os golpistas criavam cenários que simulavam delegacias ou instituições oficiais de diversos países — incluindo Brasil, Austrália, Canadá e Índia — para convencer vítimas, durante chamadas de vídeo ou telefonemas, de que estavam lidando com autoridades legítimas. Esta descoberta reforça dramaticamente o papel do Sudeste Asiático como um dos principais centros globais de fraudes online e golpes financeiros de grande escala.

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Rede criminosa com milhares de envolvidos

Autoridades afirmam que o complexo fazia parte de uma vasta e organizada rede de fraudes que opera na região de fronteira. O'Smach já havia sido apontada anteriormente como base de operações desse tipo de crime, inclusive por autoridades dos Estados Unidos, que mencionaram casos de tráfico de pessoas e trabalho forçado diretamente ligados a centros de golpes.

Segundo o Exército da Tailândia, milhares de pessoas viviam ou trabalhavam no local, muitas delas sendo vítimas de tráfico humano, forçadas a aplicar golpes sob ameaça de punição severa. Durante a visita ao prédio, jornalistas encontraram documentos com listas detalhadas de possíveis alvos, seus contatos pessoais e roteiros completos de conversas usados nas fraudes, além de dormitórios com beliches e equipamentos de informática abandonados às pressas.

Tensões diplomáticas entre Tailândia e Camboja

A descoberta ocorre em meio a crescentes tensões diplomáticas entre Tailândia e Camboja. O governo tailandês afirma que a região era usada tanto como base militar cambojana quanto como centro de crimes transnacionais de grande envergadura. Os dois países travaram confrontos mortais ao longo da fronteira disputada por aproximadamente três semanas em dezembro — o episódio mais recente de um conflito territorial de longa data que perdura há anos.

Na ocasião, a Tailândia afirmou que suas forças atacaram vários cassinos do lado cambojano da fronteira, alegando que os locais eram utilizados como depósitos de armas e posições de tiro por forças do Camboja. Observadores independentes identificaram ao menos dois desses complexos como fachadas que também operavam centros de golpes online sofisticados.

Acusações mútuas entre os países

O ministro da Informação do Camboja, Neth Pheaktra, acusou publicamente a Tailândia de tentar estabelecer sua "anexação de fato" do território cambojano "sob o pretexto de operações contra golpes online". Em comunicado oficial à AFP, Pheaktra afirmou que "essas ações representam um uso perigoso de narrativas de aplicação da lei para incursões militares institucionais".

Mesmo após um cessar-fogo considerado frágil por analistas internacionais, tropas tailandesas continuam posicionadas em áreas da região, enquanto Phnom Penh acusa Bangcoc de usar o combate aos golpes virtuais como justificativa para manter presença militar em território cambojano. O diretor de inteligência do Exército tailandês, Teeranan Nandhakwang, afirmou que o objetivo de abrir o local para a imprensa era mostrar claramente a dimensão das atividades ilegais que ocorriam no complexo.

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