Governo Trump enfrenta críticas após operação do ICE com informações falsas em universidade
Críticas ao ICE após operação com informações falsas em universidade

Operação do ICE na Universidade Columbia gera indignação e revela falhas no recrutamento

Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) realizaram uma detenção controversa em um alojamento da Universidade Columbia na quinta-feira (26), utilizando informações falsas para obter acesso ao prédio. Segundo a presidente interina da universidade, Claire Shipman, os agentes alegaram estar procurando uma pessoa desaparecida por volta das 6h30, mas não possuíam o mandado judicial necessário para entrar em áreas não públicas da instituição.

"Até o momento, entendemos que os agentes federais forneceram informações falsas para obter acesso ao prédio e procurar uma pessoa desaparecida", afirmou Shipman em comunicado, destacando que a conduta viola protocolos universitários. A governadora de Nova York, Kathy Hochul, também condenou a ação em publicação nas redes sociais, anunciando um projeto de lei para proibir a entrada do ICE em locais sensíveis como escolas e dormitórios.

E-mail interno expõe problemas graves na triagem de novos agentes

Um e-mail interno obtido pela Reuters revela que o ICE está enfrentando dificuldades para acompanhar o ritmo da triagem de novos contratados, estabelecendo um processo especial para lidar com alegações de má conduta. A mensagem, enviada a supervisores na segunda-feira (23), alerta que o "grande volume de novas contratações" e a demora nas verificações de antecedentes podem gerar incertezas nos escritórios de campo.

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O Departamento de Segurança Interna dos EUA contratou 12 mil novos agentes este ano, somando-se aos 10 mil já existentes, mas o ritmo acelerado levantou questões sobre a qualidade dos recrutas. Em carta à Secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, o senador Dick Durbin alertou que o aumento no número de agentes "provavelmente resultaria em um aumento da má conduta dos agentes".

Fontes anônimas revelaram à Reuters casos preocupantes:

  • Recrutas em treinamento foram dispensados após descoberta de passado criminal
  • Dois recrutas foram identificados como suspeitos de pertencer à gangue MS-13 com base em tatuagens
  • Pelo menos cinco recrutas tinham mandados de prisão em aberto quando foram contratados

Segundo um ex-funcionário do governo, "eles não estavam concluindo as verificações de antecedentes antes de os candidatos chegarem à academia". O vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, teria pressionado fortemente para que o ICE atingisse metas ambiciosas de contratação antes do final do ano.

Postura truculenta do ICE diminui apoio público à política de imigração

Operações consideradas agressivas do ICE vêm provocando protestos e confrontos em várias cidades americanas. Episódios como a morte de dois cidadãos americanos em Minneapolis em janeiro e a prisão de pessoas sem antecedentes criminais, incluindo famílias e crianças, têm reduzido o apoio público à política de imigração do governo Trump.

O Departamento de Segurança Interna entrou em paralisação parcial no dia 14 após impasse no Congresso sobre mudanças nas regras de atuação dos agentes de imigração. Democratas propõem novas restrições ao ICE e à Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), incluindo:

  1. Exigência de que agentes sigam regras semelhantes às aplicadas a policiais locais
  2. Limites mais claros para abordagens, prisões e operações
  3. Proibição do uso de máscaras durante ações de busca e prisão

Republicanos defendem que as mudanças colocariam os agentes em risco, enquanto o presidente Trump criticou os democratas e afirmou ser necessário "proteger as forças de segurança", incluindo o ICE. O uso de máscaras em operações gerou protestos especialmente após ações consideradas agressivas em cidades como Minneapolis.

A combinação de operações controversas, problemas no recrutamento e impasse político coloca o governo Trump em uma posição delicada frente à sua campanha anti-imigração, com crescente pressão por maior transparência e responsabilidade nas ações dos agentes federais.

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