Cúmplice de Epstein recusa depoimento no Congresso dos EUA e exige perdão de Trump
Cúmplice de Epstein recusa depoir no Congresso americano

Cúmplice de Epstein condiciona depoimento a perdão presidencial e gera crise no Congresso

Em um desdobramento que intensifica a crise política em torno do caso Jeffrey Epstein, Ghislaine Maxwell, condenada por ser cúmplice do bilionário acusado de tráfico sexual de menores, recusou-se a depor perante uma comissão do Congresso dos Estados Unidos na segunda-feira (9). A decisão ocorre em meio a críticas generalizadas de deputados republicanos e democratas sobre a falta de transparência e acesso privilegiado aos arquivos do caso, com acusações de "acobertamento" por parte do governo Trump.

Maxwell invoca direito ao silêncio e exige indulto de Trump

Maxwell, que cumpre pena de 20 anos de prisão por aliciar jovens, muitas menores de idade, no esquema de exploração sexual comandado por Epstein, invocou seu direito legal de não produzir provas contra si mesma durante o depoimento. Seus advogados informaram à comissão da Câmara que ela estaria disposta a depor apenas se recebesse um perdão do presidente Donald Trump.

"Após meses desafiando nossa intimação, Ghislaine Maxwell finalmente compareceu perante nossa Comissão e não disse nada. Quem ela está protegendo? Vamos acabar com esse acobertamento da Casa Branca", declarou o grupo de supervisão da Câmara do Partido Democrata em nota oficial.

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Críticas ao acesso limitado e tarjamento excessivo dos documentos

O depoimento de Maxwell ocorre pouco mais de uma semana após o Departamento de Justiça dos EUA divulgar cerca de três milhões de documentos relacionados a Epstein, gerando uma petição na Câmara assinada por 217 deputados para exigir versões sem tarjas. Parlamentares de ambos os partidos visitaram a sede do Departamento de Justiça em Washington D.C. para ter acesso privilegiado, mas reclamaram de condições inadequadas.

O deputado democrata Jamie Raskin denunciou que apenas quatro computadores foram disponibilizados para os políticos visualizarem os arquivos, em um escritório satélite, o que ele classificou como "um acobertamento". Além disso, deputados como Ro Khanna (democrata) e Thomas Massie (republicano) criticaram o "tarjamento excessivo" dos documentos, com informações sensíveis censuradas pelo FBI e tribunais antes de chegarem ao Departamento de Justiça.

"Nossa maior preocupação é que ainda há muita coisa tarjada, mesmo no que estamos vendo. Estamos vendo versões com tarjas. Continuamos fazendo buscas pelas informações sem tarjas, porque a nossa lei diz que os documentos do FBI e do grande júri original precisam estar sem tarjas", afirmou Khanna.

Exigência por mais transparência e responsabilização

Os políticos foram unânimes em exigir a divulgação de mais nomes envolvidos na rede de Epstein, argumentando que é "impossível" haver apenas uma cúmplice descoberta, dada a magnitude do esquema que teria mais de 1.000 vítimas. A deputada republicana Nancy Mace enfatizou: "Com mais de 1.000 vítimas, não há como ter existido apenas um cúmplice. Todos os envolvidos precisam ser responsabilizados com o máximo rigor da lei — e o mesmo vale para as pessoas que acobertaram tudo isso".

Massie relatou ter descoberto um nome censurado nos arquivos ao fazer uma busca reversa, o que levou o Departamento de Justiça a retirar a tarja na versão divulgada ao público. Ele sugeriu que o departamento admita erros e destarje os nomes para resolver a situação.

Contexto do caso Epstein e pressão política

Jeffrey Epstein, bilionário acusado de comandar uma rede de tráfico sexual de menores com contatos entre os homens mais poderosos do mundo, morreu na prisão em 2019. A divulgação dos documentos tem gerado tensões políticas, com o deputado republicano James Comey, presidente do Comitê de Supervisão da Câmara, pressionado a realizar o depoimento de Maxwell após atuar para intimar figuras como o ex-presidente Bill Clinton e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, que concordaram em depor ainda este mês.

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O acesso privilegiado concedido pelo governo Trump permitiu que políticos visualizassem documentos com menos tarjas em relação às versões públicas, mas as reclamações se intensificaram desde a última rodada de publicações no final de janeiro. A crise reflete um debate mais amplo sobre transparência, justiça e a responsabilização de todos os envolvidos em um dos casos mais notórios de crimes sexuais da história recente dos EUA.