Chinês preso no Quênia por tentar contrabandear mais de 2 mil formigas rainhas em aeroporto
Chinês preso no Quênia por contrabando de formigas rainhas

Chinês é detido em aeroporto queniano com mais de 2 mil formigas rainhas na bagagem

Um cidadão chinês foi preso no principal aeroporto do Quênia, acusado de tentar contrabandear uma quantidade impressionante de mais de 2 mil formigas rainhas vivas. Zhang Kequn foi interceptado durante uma rigorosa inspeção de segurança no movimentado Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta (JKIA), localizado na capital Nairóbi, depois que autoridades alfandegárias descobriram uma grande quantidade dos insetos em sua bagagem com destino à China.

Operação de segurança revela método de ocultação incomum

O promotor público Allen Mulama informou ao tribunal, na quarta-feira (11 de março), que Zhang havia embalado cuidadosamente parte das formigas em tubos de ensaio especiais, enquanto outras estavam estrategicamente escondidas dentro de rolos de papel higiênico em sua bagagem pessoal. "Dentro de sua bagagem pessoal, foram encontradas 1.948 formigas embaladas em tubos de ensaio especiais", declarou Mulama ao tribunal. "Outras 300 formigas vivas foram encontradas escondidas em três rolos de papel higiênico dentro da bagagem", acrescentou o representante do Ministério Público.

O suspeito ainda não se manifestou formalmente sobre as graves acusações, mas investigadores afirmaram em juízo que ele está diretamente ligado a uma extensa rede de tráfico de formigas que foi desmantelada no Quênia no ano anterior. As formigas envolvidas neste caso são protegidas por tratados internacionais de biodiversidade, e seu comércio é altamente regulamentado devido ao seu papel ecológico fundamental.

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Conexão com rede de tráfico internacional desmantelada

Investigadores agora afirmam que Zhang era aparentemente o mentor intelectual dessa rede de tráfico, mas conseguira fugir do Quênia no ano passado utilizando um passaporte diferente. As autoridades judiciais solicitaram e obtiveram autorização para deter o acusado por cinco dias, permitindo que os investigadores conduzam novas e mais profundas investigações sobre suas atividades ilícitas. O promotor também pediu ao tribunal que autorizasse a perícia técnica no celular e no laptop do suspeito, que podem conter evidências cruciais.

Duncan Juma, um funcionário de alto escalão do Serviço de Vida Selvagem do Quênia (KWS), revelou à BBC que devem ocorrer mais prisões em breve, já que as autoridades estão ampliando significativamente a investigação para outras cidades quenianas onde há fortes suspeitas de que a coleta ilegal de formigas esteja ocorrendo de forma organizada.

Caso histórico com precedentes recentes

Em maio do ano passado, um tribunal queniano já havia condenado quatro homens a um ano de prisão ou multa equivalente a US$ 7,7 mil (aproximadamente R$ 40 mil) por tentarem contrabandear milhares de formigas rainhas vivas para fora do país, em um caso considerado inédito na história da proteção ambiental queniana. Os quatro suspeitos — dois cidadãos belgas, um vietnamita e um queniano — haviam se declarado culpados das acusações após serem presos no que o KWS descreveu como "uma operação coordenada e baseada em informações de inteligência".

Os belgas envolvidos naquele caso disseram ao tribunal que colecionavam as formigas, muito procuradas no mercado negro, como um hobby peculiar e afirmaram não acreditar que tal atividade fosse considerada ilegal. No entanto, as formigas apreendidas naquela ocasião eram consideradas ecologicamente importantes, e sua remoção indiscriminada do ecossistema poderia prejudicar gravemente a saúde do solo e a biodiversidade local.

Demanda internacional por espécies exóticas

O Serviço de Vida Selvagem do Quênia (KWS), mais acostumado a proteger animais de grande porte como leões e elefantes, descreveu a decisão judicial do ano passado como um "caso histórico" na luta contra o tráfico de espécies menores. A instituição já havia alertado anteriormente para uma crescente e preocupante demanda por formigas cientificamente conhecidas como Messor cephalotes na Europa e na Ásia, onde colecionadores as mantêm como animais de estimação exóticos.

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Acredita-se firmemente que os destinos finais das formigas contrabandeadas seriam os lucrativos mercados de animais exóticos na Europa e na Ásia, onde espécimes raros podem alcançar valores extraordinários. Este caso evidencia os desafios crescentes que as autoridades ambientais enfrentam no combate ao tráfico de espécies protegidas, mesmo aquelas de pequeno porte, mas com imenso valor ecológico.