China investiga generais de alto escalão por corrupção em purga militar sem precedentes
China investiga generais por corrupção em purga militar histórica

China inicia investigação sem precedentes contra generais de alto escalão por corrupção

A China anunciou neste sábado (24) a abertura de uma investigação formal contra dois dos mais importantes generais de seu aparato militar, em um movimento que especialistas classificam como histórico e sem precedentes nas Forças Armadas chinesas. Os alvos são Zhang Youxia e Liu Zhenli, ambos vice-presidentes da Comissão Militar Central (CMC), o órgão supremo de comando militar do país.

Suspeitas de graves violações disciplinares

O Ministério da Defesa chinês emitiu um comunicado oficial afirmando que os dois generais são suspeitos de cometer graves violações disciplinares e da lei. Na terminologia política chinesa, essa expressão é amplamente reconhecida como um eufemismo para casos de corrupção e desvios de conduta.

Zhang Youxia, de 75 anos, é o general mais graduado entre os vice-presidentes da CMC, enquanto Liu Zhenli, de 61 anos, ocupa a presidência do Estado-Maior Conjunto do mesmo órgão. Ambos são subordinados diretos do líder chinês Xi Jinping, que está no poder há mais de uma década.

Purga militar reduz comando supremo a apenas dois membros

Com essas novas investigações e o consequente afastamento dos envolvidos, a Comissão Militar Central fica reduzida a apenas dois membros ativos: o próprio Xi Jinping e o general Zhang Shengmin, que supervisionou expurgos militares anteriores. Todos os seis comandantes que Xi nomeou para a comissão em 2022 já foram removidos de seus cargos, indicando uma limpeza profunda nas estruturas de poder.

Christopher Johnson, ex-analista da agência americana de inteligência, comentou ao The New York Times que essa medida é sem precedentes na história das Forças Armadas chinesas e representa a total aniquilação do alto comando.

Contexto da campanha anticorrupção de Xi Jinping

Essas investigações ocorrem no contexto de uma ampla campanha anticorrupção que Xi Jinping lançou em meados de 2023, com o objetivo declarado de erradicar a corrupção dentro do Partido Comunista e das Forças Armadas. Em reuniões de alto nível em Pequim, em agosto daquele ano, o líder chinês disse explicitamente aos comandantes militares que precisavam se concentrar em resolver os maiores problemas que persistem nas organizações partidárias.

Analistas interpretam essa movimentação como um sinal de que os esforços de uma década de Xi Jinping para exercer controle rígido sobre os militares não surtiram o efeito desejado, necessitando de medidas mais drásticas.

Antecedentes de mudanças no comando militar

Essa não é a primeira mudança significativa no alto escalão militar chinês recentemente. Em dezembro de 2023, a China nomeou Dong Jun, então comandante da Marinha, como novo ministro da Defesa, substituindo o general Li Shangfu, que havia sido demitido sem explicações públicas meses antes.

Havia consenso entre analistas de que Li Shangfu estava sob investigação por corrupção, especialmente considerando seu histórico como chefe do departamento responsável pela aquisição e pesquisa de equipamentos militares antes de assumir o ministério.

A Comissão Militar Central mantém a responsabilidade pelo controle do Partido Comunista sobre as Forças Armadas e pela coordenação da defesa nacional, tornando essas investigações particularmente significativas para a estrutura de poder chinês.