Chef italiano preso em Fortaleza por fraudes milionárias na Itália será extraditado
O chef de cozinha italiano Fabio Mattiuzzo foi detido pela Polícia Federal em Fortaleza no mês de março, após ordem de prisão emitida pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A prisão, determinada em 9 de março de 2026, tem como objetivo viabilizar a extradição do chef para a Itália, onde ele enfrenta duas condenações que somam mais de 5 anos de prisão pelo crime de falência fraudulenta agravada.
Histórico de fraudes e condenações na Itália
Mattiuzzo estava na lista de procurados da Interpol desde junho de 2025 e era diretor de duas empresas italianas que faliram entre 2009 e 2011. De acordo com documentos processuais, o chef é acusado de desviar recursos das companhias para pagamento de despesas pessoais, além de ocultar e destruir livros contábeis.
Os detalhes das condenações incluem:
- Primeira condenação: Desvio de mais de 96 mil euros da empresa Armani S.r.l. entre novembro de 2009 e junho de 2010, resultando em pena de 3 anos de prisão após trânsito em julgado em janeiro de 2022.
- Segunda condenação: Desvio de bens de capital, mobiliário e um caminhão da empresa S.A.P. S.r.l. entre outubro de 2010 e setembro de 2011, com pena de 2 anos e 6 meses de prisão após trânsito em julgado em setembro de 2022.
Atuação no Brasil e prisão preventiva
No Brasil, Mattiuzzo trabalhava como chef de um restaurante de culinária francesa localizado em área nobre de Fortaleza. A decisão do ministro Flávio Dino destacou que os crimes cometidos na Itália não estão prescritos e equivalem, no ordenamento jurídico brasileiro, aos crimes de apropriação indébita e fraude a credores.
Em 16 de março, a Polícia Federal informou ao STF que cumpriu o mandado de prisão preventiva e solicitou as tratativas para a formalização do pedido de extradição, conforme a Lei 13.445/2017. O ofício enviado à corte afirma: "Comunico a Vossa Excelência a efetivação da prisão decretada nos autos em referência, nos termos da decisão proferida em 9 de março de 2026, de cópia anexa, para que solicite à Missão Diplomática do Estado requerente as providências no sentido de formalizar o pedido de extradição".
Contexto internacional e próximos passos
A prisão de Mattiuzzo reforça a cooperação internacional no combate a crimes financeiros transnacionais. O caso evidencia como indivíduos condenados no exterior podem ser localizados e detidos no Brasil para processos de extradição, especialmente quando há envolvimento de órgãos como a Interpol e decisões judiciais do STF.
O g1 tentou obter mais informações com a Polícia Federal sobre o local onde o chef italiano está detido e detalhes operacionais da prisão, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem. As autoridades italianas devem agora formalizar o pedido de extradição para que Mattiuzzo seja enviado à Itália e cumpra as penas determinadas pela Justiça daquele país.



