Brasileira desaparecida na Inglaterra pode ter usado barco para tentar fuga, revela investigação
Novas evidências coletadas pela polícia da Inglaterra apontam que a brasileira Vitória Figueiredo Barreto, desaparecida há 10 dias no país, pode ter tentado utilizar uma embarcação para se locomover, ficando posteriormente à deriva. As informações foram divulgadas pela Polícia de Essex ao canal Sky News, indicando um desdobramento preocupante no caso que mobiliza autoridades e familiares.
Detalhes da tentativa com a embarcação
Segundo as investigações, a cearense de 30 anos teria tentado ligar o motor de um barco e colocado a embarcação na água no porto de Brightlingsea, localizado a aproximadamente 130 quilômetros de Londres. Câmeras de segurança identificaram uma pessoa que seria a psicóloga dentro da área portuária na madrugada do dia 4 de março, um dia após seu desaparecimento ser registrado.
Os agentes policiais acreditam que Vitória passou por cercas de um estaleiro e inicialmente entrou em um barco pequeno. Na sequência, ela abandonou essa primeira embarcação, de menor porte, e tentou pegar outra a motor, que não conseguiu ligar - situação que a deixou à deriva. Todas as ações teriam sido realizadas sozinhas, conforme relatado pelas autoridades.
Expansão das buscas e objetos encontrados
Após a brasileira utilizar o segundo barco, a corrente marítima levou a embarcação até um banco de areia próximo a Bradwell, outra região vizinha ao porto. O barco foi encontrado em uma área com pouca profundidade, e a boia salva-vidas não estava localizada, sugerindo que alguém poderia ter utilizado o objeto.
A polícia expandiu significativamente as operações de busca na última quarta-feira. Agentes agora atuam no rio Blackwater, na península de Dengie, e nas costas do rio Crouch e da Ilha de Mersea. Paralelamente, uma bolsa que seria de propriedade de Vitória foi encontrada na rua Copperas Road, nas proximidades do porto de Brightlingsea.
O acessório, descoberto por um morador local, apresenta a frase "People Over Profit" (Pessoas acima do lucro), que corresponde perfeitamente à descrição do item utilizado pela psicóloga brasileira. No momento de seu desaparecimento, Vitória vestia casaco escuro com gola alta azul e tênis pretos.
Sinal de socorro e relatos de amigos
A também psicóloga Fernanda Silvestre, 30 anos, que divide residência com Vitória em Fortaleza e tem os celulares emparelhados, recebeu uma notificação de emergência no mesmo dia do desaparecimento. O alerta foi emitido através de um dispositivo do iPhone que permite acionar contatos de emergência mostrando a localização do telefone via satélite.
"Ela mandou um sinal de socorro do iPhone que é justamente bem já dentro do mar, na orla marítima. E pra chegar naquele ponto você precisa estar minimamente dentro de uma embarcação", relatou Fernanda ao UOL. "Assim que eu olhei o telefone, fui ver a localização dela e era essa localização do mar".
Fernanda destacou que mantém comunicação diária com a amiga e que a última conversa ocorreu normalmente. A psicóloga desaparecida havia viajado inicialmente para um congresso no Marrocos, compartilhando imagens do evento em redes sociais, antes de seguir para a Inglaterra, onde planejava tentar um doutorado.
Contexto da viagem e críticas às buscas
Na Inglaterra, Vitória estava hospedada na casa de uma amiga brasileira que leciona em uma universidade local. A cearense havia combinado um almoço com essa amiga após retornar de seu passeio em Brightlingsea, mas não compareceu ao compromisso. "Na hora combinada, ela já nem tinha mais sinal de telefone", explicou Fernanda.
A amiga criticou a ausência de buscas marítimas mais abrangentes, considerando que a geolocalização mostrava claramente que o celular estava nas águas. "Estão fazendo buscas em terra e tudo o que foi feito foi graças à localização que mandei. Mas estou sentindo falta de buscas marítimas. O nosso apelo é que sejam utilizados todos os recursos disponíveis", afirmou Fernanda, mantendo a esperança pelo retorno da companheira.
Envolvimento das autoridades
A Polícia de Essex divulgou imagens de Vitória em um ônibus no dia do desaparecimento, reforçando a preocupação com seu paradeiro. "Acreditamos que, mais tarde naquela mesma noite, ela possa ter estado na área do porto de Brightlingsea. Estamos trabalhando arduamente para localizar Vitória. Estamos muito preocupados e precisamos encontrá-la para garantir que ela esteja bem", declarou a instituição.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, através do Consulado-Geral em Londres, informou que acompanha o caso de perto e mantém contato constante com as autoridades locais e com a família da brasileira. O namorado de Vitória e sua mãe já se encontram na capital inglesa para acompanhar as investigações mais de perto.



