Psicóloga brasileira desaparece na Inglaterra: cronologia detalhada do caso
Brasileira desaparecida na Inglaterra: cronologia completa

Psicóloga brasileira desaparece na Inglaterra: cronologia detalhada do caso

A psicóloga Vitória Figueiredo Barreto, natural de Fortaleza, está desaparecida na Inglaterra há duas semanas, desde o dia 3 de março. Familiares e amigos perderam contato com a brasileira após ela sair do campus da Universidade de Essex em Colchester, localizada a aproximadamente 90 quilômetros de Londres. A Polícia de Essex, que lidera as investigações, confirmou que os últimos passos registrados de Vitória foram capturados por câmeras de segurança na marina de Brightlingsea, às 0h16 do dia 4 de março.

Antes do desaparecimento

Vitória deixou o Brasil em janeiro para participar do Congresso Internacional de Psiquiatria Social em Marraquexe, no Marrocos, realizado entre os dias 15 e 17. Após o evento, ela e seu tio, o psiquiatra Adalberto Barreto, ministraram dois cursos presenciais em Casablanca, também no Marrocos. A dupla é conhecida por realizar formações e palestras sobre Terapia Comunitária Integrativa, baseada no trabalho desenvolvido no Projeto 4 Varas, na periferia de Fortaleza.

No dia 2 de fevereiro, Vitória chegou ao Reino Unido, onde ficou hospedada na casa de um amigo até o dia 1º de março. A partir do domingo, dia 1º de março, ela passou a se hospedar na residência de Liliane Silva, psicóloga brasileira e professora na Universidade de Essex, que mora em Southend-On-Sea, a cerca de 65 quilômetros de Londres.

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O dia do desaparecimento

Na segunda-feira, dia 2 de março, Vitória e Liliane foram até o campus da universidade em Colchester. Enquanto Liliane ministrava aulas, Vitória permaneceu na biblioteca estudando e realizando trabalhos no computador durante a manhã. As duas almoçaram juntas e, no fim da tarde, retornaram para Southend-On-Sea, onde Vitória passou a noite com a família de Liliane.

Na terça-feira, dia 3 de março, a dinâmica se repetiu: Vitória estudaria enquanto Liliane dava aulas. Por volta das 7h, as duas foram para a Universidade de Essex. Entre 12h e 13h, almoçaram juntas em um local próximo à universidade. Por volta das 13h, Vitória embarcou no ônibus 87 na via Boundary Road, que circunda vários prédios da instituição.

Às 13h30, ela desceu do ônibus na via Bellfied Avenue, na cidade litorânea de Brightlingsea. Familiares e amigos relatam que o último contato com Vitória ocorreu às 13h44. Imagens de câmera de segurança mostram Vitória na região de Hurst Green, área residencial em Brightlingsea, por volta das 14h30.

Por volta das 16h45, após ministrar suas aulas, Liliane esperava Vitória em um local combinado no campus, mas a cearense não apareceu. Ela não atendia o telefone nem respondia mensagens. Liliane tentou encontrá-la por cerca de duas horas, com a ajuda de seguranças da universidade, e entrou em contato com familiares de Vitória, que confirmaram a falta de comunicação desde as 13h44.

Indícios e investigações

Durante a tarde do dia 3 de março, o morador Justin Francis afirmou ter visto uma mulher com a descrição de Vitória em Brightlingsea, que se apresentou como a psicóloga e pediu para entrar em sua casa, sem explicar o motivo. Francis só percebeu posteriormente que poderia ter ajudado uma pessoa procurada.

Nas primeiras horas do dia 4 de março, imagens de câmera de segurança mostram Vitória pulando uma cerca em direção a um estaleiro, perto da marina de Brightlingsea. Às 0h16, ela foi filmada sozinha perto da marina, sendo este o último registro confirmado pela polícia.

Imagens mostradas pela polícia aos familiares indicam que uma pessoa pegou uma embarcação pequena e remou sozinha por cerca de 100 metros, amarrando o barco próximo a um pontão e seguindo em direção a embarcações maiores. Às 0h36, um barco que estava em um pontão em Brightlingsea foi desamarrado e levado do local. O rádio do barco não estava ligado, e o proprietário só percebeu a ausência durante a manhã. Uma das linhas de investigação considera que Vitória é a pessoa que levou este barco.

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Por volta das 8h, a última localização do celular de Vitória indicou uma posição no Mar do Norte, conforme compartilhado com sua amiga Fernanda Silvestre, psicóloga que mora em Fortaleza. Às 12h, o barco que havia sido levado de Brightlingsea foi encontrado em um banco de areia perto da praia de Bradwell. A polícia não localizou um colete salva-vidas laranja, em formato de ferradura, que pertencia à embarcação. O motor do barco apresentava fios expostos, com indícios de que alguém tentou fazer uma ligação direta para forçar seu funcionamento.

Mobilização familiar e buscas

Às 13h45 do dia 4 de março, o namorado de Vitória, Janilson, chegou a Londres. Como sua chegada já era esperada, familiares tinham esperança de que ela fosse ao aeroporto recebê-lo, mas ela não apareceu. A mãe de Vitória, Gleyz Barreto, decidiu viajar para Londres e desembarcou na mesma data. A ausência de Vitória no aeroporto reforçou a preocupação, e a Polícia de Essex foi comunicada do desaparecimento.

No dia 9 de março, por volta das 14h, um morador encontrou uma bolsa com a inscrição “People Over Profit” em uma área verde perto de Copperas Road, próxima à marina de Brightlingsea. O objeto corresponde à descrição da bolsa utilizada por Vitória no dia do desaparecimento.

No dia 14 de março, o notebook de Vitória foi encontrado em Brightlingsea durante varreduras em áreas de campo da cidade. Familiares e amigos acreditam que ela possa ter deixado o equipamento para não atrapalhar sua mobilidade, guardando nos bolsos da jaqueta apenas itens essenciais para sobrevivência. Passaporte, celular e cartões de crédito ainda não foram localizados. Na última segunda-feira (16), a polícia conseguiu acesso ao computador, com expectativa de encontrar novas pistas.

Buscas em andamento

As buscas continuaram na segunda-feira (16), com equipes concentradas nas regiões de Brightlingsea e Bradwell-On-Sea. A Polícia de Essex divulgou que recebeu relatos de moradores da área de Bradwell sobre "possíveis avistamentos de Vitória" — uma mulher desconhecida pela comunidade local que teria circulado pela região após o desaparecimento. Policiais foram deslocados para lá e para a área de Dengie para investigar as informações.

Enquanto aguarda a confirmação de evidências recolhidas, a família também cobra a análise de DNA em lenços umedecidos encontrados recentemente por um grupo de busca ativa, acreditando que os objetos podem ter sido descartados por Vitória.

"Esta é uma investigação que continua a evoluir a cada dia, e estou plenamente ciente de que as pessoas próximas de Vitória naturalmente ainda têm muitas perguntas, e eu garanto que cada pessoa envolvida neste trabalho está fazendo tudo o que pode para providenciar estas respostas", afirmou a superintendente Anna Granger, que lidera as buscas pela Polícia de Essex.

A criação de um portal dedicado às informações do caso busca reforçar o fluxo de notícias relatadas pela população. Por meio da ferramenta, as pessoas podem informar se sabem a localização atual de Vitória ou se a viram após o horário de 13h44 do dia 3 de março.

Campanha de mobilização

Com cartazes, bandeiras do Brasil nas janelas e buscas de porta em porta, familiares e amigos de Vitória se mobilizam na expectativa de que ela esteja em algum lugar do Reino Unido buscando ajuda. A campanha ‘Find Vitória’ (‘Encontre Vitória’) busca mobilizar brasileiros que estão no Reino Unido a divulgar a imagem da cearense para um grande número de pessoas que podem ajudar a reconhecê-la. O movimento também pede a ajuda de perfis nas redes sociais para que estas mensagens sejam multiplicadas.