Ex-presidente americano presta testemunho sigiloso sobre caso de exploração sexual
O ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, compareceu nesta sexta-feira (27) para prestar depoimento perante uma comissão do Congresso americano. A audiência, realizada a portas fechadas, teve duração superior a seis horas e focou nas relações do político com o empresário Jeffrey Epstein, figura central em uma rede de tráfico humano e exploração sexual de menores.
Investigação sobre rede de pedofilia e conexões de poder
A comissão congressual investiga a extensa rede criminosa comandada por Epstein, que conectava indivíduos poderosos, incluindo políticos, membros de famílias reais, celebridades e executivos de grandes corporações. Até o momento, conforme apurado pelas autoridades, nenhuma vítima do esquema apresentou queixas formais contra Bill Clinton, e não existem evidências concretas de que o ex-presidente tivesse conhecimento dos crimes praticados por Epstein.
Entretanto, materiais de arquivo chamam a atenção: fotografias mostram Clinton em uma piscina ao lado de uma mulher, abraçado com uma jovem em uma festa que contava com a presença de Epstein, e próximo a Ghislaine Maxwell, parceira do empresário que facilitava as atividades ilícitas. Investigadores também localizaram um quadro peculiar que retrata o ex-presidente vestindo um vestido azul, uma referência explícita a Monica Lewinsky, a estagiária da Casa Branca com quem Clinton manteve um relacionamento extraconjugal durante seu mandato.
Declarações públicas e defesa de Clinton
Pela manhã, antes do depoimento, Bill Clinton publicou em suas redes sociais o pronunciamento inicial dirigido aos deputados. Na publicação, ele escreveu: "Ninguém está acima da lei, especialmente os presidentes." Sobre sua relação com Epstein, o ex-presidente foi enfático ao declarar que "não viu nem fez nada de errado". Clinton também afirmou que, no período em que o empresário se declarou culpado e foi condenado pela primeira vez, em 2008, ambos já estavam afastados há tempos.
Depoimento de Hillary Clinton e contexto político
Bill Clinton expressou constrangimento pela convocação de sua esposa, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, que depôs na quinta-feira (26). Em seu testemunho, ela afirmou aos parlamentares: "Nunca conheci Epstein ou me comuniquei com ele." Ambos os Clinton haviam se recusado a depor anteriormente, mas revisaram sua posição, aceitaram e solicitaram que as audiências fossem abertas ao público. A comissão, no entanto, optou por ouvi-los sob sigilo total.
O caso ganha contornos políticos adicionais: deputados da oposição democrata planejam utilizar o depoimento de Bill Clinton como um precedente legal para tentar compelir o atual presidente americano, Donald Trump, a também prestar esclarecimentos. Trump é citado nos arquivos de Jeffrey Epstein com uma frequência ainda maior do que Clinton, alimentando especulações sobre seu possível envolvimento ou conhecimento da rede criminosa.
A investigação continua em andamento, com autoridades buscando esclarecer o alcance total das operações de Epstein e a extensão das conexões de figuras públicas com suas atividades ilegais.



