Babá brasileira recebe pena máxima de 10 anos por participação em duplo assassinato nos Estados Unidos
A Justiça dos Estados Unidos condenou a babá brasileira Juliana Peres Magalhães a dez anos de prisão por seu envolvimento nos assassinatos de Christine Banfield e Joseph Ryan, ocorridos em 2023. A sentença foi proferida no condado de Fairfax, no estado da Virgínia, na tarde desta sexta-feira (13), marcando o desfecho judicial de um caso que chocou a comunidade local.
Detalhes do crime e acordo com a promotoria
Juliana mantinha um relacionamento com Brendan Banfield, pai da família para a qual trabalhava e marido de Christine. Segundo as investigações, os dois elaboraram um plano meticuloso para eliminar Christine, utilizando um site fetichista e realizando treinamento de tiro. A brasileira confessou que o objetivo do crime era permitir que ela e Brendan pudessem ficar juntos livremente.
Ela estava presa desde a época do crime e aceitou um acordo de colaboração com a Procuradoria de Fairfax. Nesse acordo, Juliana confessou sua participação na trama e se declarou culpada pela morte de Joseph Ryan. Inicialmente, ela respondia por homicídio em segundo grau e uso ilegal de arma de fogo, acusações que carregavam penas mais severas.
Com a colaboração, a acusação foi reclassificada para "manslaughter", um tipo de homicídio com pena máxima de dez anos. A promotoria chegou a recomendar que Juliana recebesse uma sentença equivalente ao tempo já cumprido, pouco mais de dois anos, mas a juíza rejeitou essa sugestão.
Juíza aplica pena máxima e critica ações da ré
Durante a leitura da sentença, a juíza Penney S. Azcarate foi incisiva ao afirmar que não poderia aceitar a recomendação da promotoria. "Suas ações foram deliberadas, motivadas por interesse próprio e demonstraram um profundo desprezo pela vida humana", declarou a magistrada.
Ela acrescentou: "Então, sejamos claros: você não merece nada além do encarceramento e de uma vida de reflexão sobre o que fez à vítima e à família dela. Que isso pese intensamente sobre a sua consciência". A juíza classificou o caso como um dos homicídios mais graves já vistos pelo tribunal.
Antes da sentença, Juliana leu um depoimento emocionado, pedindo desculpas às famílias afetadas. "Eu não vou me perdoar pela dor que causei. Não há o que eu possa fazer. Há tantos arrependimentos, sei que meu remorso não trará paz a ninguém. Eu me perdi em uma relação, ultrapassei todos os limites e coloquei entes queridos em risco", disse ela.
Mecanismos do crime e situação do cúmplice
De acordo com os autos do processo, Juliana e Brendan criaram um perfil falso em um site de fetiches, se passando por Christine. Por meio desse perfil, marcaram um encontro com Joseph Ryan na casa da família. O plano era assassinar Christine e fazer parecer que o crime havia sido cometido por Ryan.
Juliana foi considerada responsável pela morte de Joseph, enquanto Brendan foi considerado culpado pelos dois assassinatos em um veredito divulgado no fim de janeiro. Ele assassinou a esposa a facadas e também foi condenado por uso de arma de fogo e por colocar uma criança em perigo, já que a filha do casal, então com quatro anos, estava na residência durante o crime.
A sentença de Brendan será proferida no início de maio, com expectativa de que ele receba prisão perpétua. A promotoria classificou sua postura como "monstruosa", destacando que ele cometeu os crimes e ainda mentiu no banco das testemunhas.
Reações e alegações finais
Em entrevista a jornalistas após o veredito, o advogado da babá brasileira, Ryan Campbell, expressou solidariedade com as famílias das vítimas. "O que eles enfrentaram foi terrível. Quando ficou claro que o correto a fazer era cooperar, fizemos todo o possível para colaborar e ajudar na condenação de Brendan Banfield", afirmou Campbell.
Durante a audiência, o advogado de Brendan, John Carroll, alegou que Juliana teria iniciado conversas com um jornalista interessado em comprar sua história. Mensagens apresentadas no tribunal sugeriam um plano para produzir um documentário para a Netflix sobre o caso, conforme reportou o jornal The New York Times.
Além dos dez anos de prisão, Juliana terá que cumprir mais dois anos de liberdade condicional após sua soltura. O caso continua a repercutir internacionalmente, destacando as complexidades jurídicas e emocionais de crimes passionais com desdobramentos transfronteiriços.



