Alpinista é condenado na Áustria por negligência que levou à morte da namorada em montanha
Alpinista condenado por morte da namorada em montanha austríaca

Alpinista recebe pena de prisão condicional após tragédia no pico mais alto da Áustria

Mais de um ano após a morte de uma mulher de 33 anos por hipotermia na montanha Grossglockner, o namorado dela, o alpinista Thomas P., de 37 anos, foi condenado a cinco meses de prisão por homicídio culposo decorrente de negligência grave. A sentença, proferida na quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026, determina que o réu cumpra a pena em liberdade condicional e pague uma multa de € 9.400, equivalente a aproximadamente R$ 57,6 mil.

Falhas graves apontadas pela justiça austríaca

O juiz Norbert Hofer, também um montanhista experiente, destacou em sua decisão uma série de erros cometidos por Thomas P. que contribuíram diretamente para o desfecho fatal. A vítima foi descrita como "indefesa, exausta, hipotérmica e desorientada" quando foi abandonada pouco abaixo dos 3.798 metros de altitude, em meio a condições climáticas adversas durante uma escalada de inverno em janeiro de 2025.

Entre as principais falhas identificadas estão:

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  • Fornecimento de equipamentos inadequados para a escalada exigente
  • Falta de interrupção da subida quando o tempo começou a piorar significativamente
  • Demora no acionamento do resgate após perceber que a companheira não conseguia prosseguir
  • Não utilização de um cobertor térmico que estava disponível na mochila da vítima

Comunicação falha e histórico preocupante

O tribunal também considerou grave o fato de que, ao buscar socorro, Thomas P. não conseguiu comunicar claramente a emergência às autoridades. A polícia austríaca não iniciou buscas imediatas porque o contato inicial do alpinista não indicou a necessidade urgente de resgate. Além disso, ele não atendeu às ligações de retorno nem às mensagens no WhatsApp, alegando posteriormente que seu telefone estava em modo avião para preservar a bateria.

Durante o julgamento, uma ex-namorada de Thomas foi ouvida como testemunha e relatou um episódio semelhante ocorrido em 2023, quando ele a teria deixado chorando sozinha durante a noite em uma escalada no mesmo pico, após uma discussão sobre a rota a ser seguida.

Sentença reconhece tentativa de ajuda mas condena negligência

O juiz Hofer afirmou em sua declaração: "Eu não o vejo como um assassino. Não o vejo como alguém sem coração", reconhecendo que Thomas P. de fato tentou buscar ajuda para a namorada. No entanto, o magistrado ressaltou que a vítima havia confiado completamente sua segurança ao réu, que falhou em cumprir essa responsabilidade de forma adequada.

No início do processo judicial, Thomas P. se declarou "infinitamente arrependido pelo que aconteceu e pela forma como aconteceu", mas mantendo sua declaração de inocência perante as acusações de homicídio culposo. A condenação serve como um alerta sobre os riscos e responsabilidades envolvidos em atividades de montanhismo, especialmente quando há diferenças significativas de experiência entre os participantes.

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