O advogado de Alex Saab, empresário colombiano-venezuelano frequentemente apontado como um testa de ferro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, negou veementemente que seu cliente tenha sido preso na quarta-feira em Caracas. A suposta detenção teria ocorrido em uma operação conjunta entre as forças de segurança da Venezuela e dos Estados Unidos, mas essa informação ainda carece de confirmação oficial.
Declarações do advogado contradizem notícias internacionais
Segundo o jornal colombiano El Espectador, o advogado Luigi Giuliano afirmou na quarta-feira: “Estive com ele esta manhã, está tranquilo em Caracas”. Ao El Tiempo, também da Colômbia, a equipe jurídica de Saab reforçou que ele estava calmo e “seguro”. Os advogados acrescentaram que “Alex Saab está muito ocupado com a comissão para a libertação de Maduro e [Cilia] Flores”, referindo-se ao ex-presidente venezuelano e sua esposa, atualmente presos nos Estados Unidos.
Essas declarações surgiram após diversas publicações internacionais, incluindo a agência de notícias Reuters, informarem que Saab, ex-ministro de Maduro, teria sido detido e poderia ser extraditado para os EUA em breve. A notícia inicial partiu da Rádio Caracol, da Colômbia, que relatou uma captura ocorrida por volta das 2h da madrugada, com participação do FBI, e que forças venezuelanas estariam mantendo Saab sob controle.
Operação conjunta ainda não confirmada oficialmente
Mais de 24 horas após a suposta ação, não houve confirmação oficial por parte dos governos envolvidos. Nem Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, nem Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, se pronunciaram sobre uma possível colaboração entre os dois países. A Reuters, citando um oficial norte-americano, publicou uma notícia semelhante, indicando que a extradição poderia ocorrer nos próximos dias e que, na mesma operação, Raúl Gorrín, dono da emissora venezuelana Globovisión, também teria sido preso.
O mesmo funcionário destacou a importância da cooperação entre EUA e Venezuela, um sinal das mudanças geopolíticas recentes. Desde a captura de Nicolás Maduro por forças norte-americanas em 3 de janeiro, Delcy Rodríguez assumiu o governo venezuelano de forma interina e vem se aproximando das autoridades dos EUA, com Donald Trump elogiando seu trabalho e sugerindo cooperação.
Quem é Alex Saab e seu histórico com a justiça
Alex Saab, de 54 anos, nasceu na Colômbia e possui também nacionalidade venezuelana. Ele é um empresário que estreitou laços com o governo venezuelano ainda durante os últimos anos de Hugo Chávez, tornando-se um aliado próximo de Nicolás Maduro. Sua trajetória não é isenta de controvérsias jurídicas.
Em 2020, Saab foi preso em Cabo Verde por acusações de suborno, passando três anos sob custódia de Washington antes de fazer um acordo para ser libertado e retornar à Venezuela. Esse acordo envolveu a soltura de norte-americanos presos no país. Autoridades dos EUA o acusaram de desviar cerca de 250 milhões de dólares da Venezuela através de um esquema ligado ao controle estatal de câmbio, mas Saab sempre negou as acusações de lavagem de dinheiro, alegando imunidade diplomática.
Defensores do regime de Maduro classificaram o caso como “sequestro” e afirmaram que as acusações eram políticas. Ao retornar à Venezuela, Saab foi recebido como herói nacional e nomeado ministro da Indústria, cargo que ocupou até janeiro deste ano. Essa nomeação foi criticada pela oposição venezuelana e por analistas internacionais, que lembraram seu histórico nos EUA.
Contexto atual e próximos passos
A suposta prisão desta quarta-feira ocorre pouco mais de um mês após a captura de Nicolás Maduro, que está atualmente em uma prisão no Brooklyn, em Nova York, acusado de crimes como narcoterrorismo. Maduro se declarou inocente no fim de janeiro, e sua próxima audiência está marcada para 17 de março. Sua esposa, Cilia Flores, também está presa nos EUA.
Enquanto isso, a situação de Alex Saab permanece incerta. Se confirmada, a operação conjunta representaria um marco na relação entre Venezuela e Estados Unidos, mas até o momento, as negativas de seu advogado e a falta de confirmação oficial deixam o caso envolto em dúvidas. O desfecho poderá impactar significativamente a política interna venezuelana e as relações internacionais na região.



