O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na escalada militar em Minnesota, estado do centro-oeste americano. O Pentágono ordenou que 1.500 soldados da ativa, baseados no Alasca, se preparem para um possível deslocamento até a região, segundo informações de funcionários à agência Reuters no domingo, 18 de janeiro de 2026.
O estopim: a morte de Renee Nicole Good
A crise teve início no começo de janeiro, quando um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) matou Renee Nicole Good, de 37 anos, durante uma operação de fiscalização migratória em Minneapolis. O incidente, registrado em vídeo, desencadeou uma onda de protestos em Minnesota e em outras partes do país.
As imagens mostram que Renee acelerou seu carro quando agentes se aproximaram de forma agressiva do veículo, em um bairro residencial ao sul do centro de Minneapolis. Um dos agentes então sacou a arma e atirou através da janela aberta, na direção do rosto da mulher. Uma testemunha que filmou o momento gritou: “Meu Deus, que p*rra você acabou de fazer?”.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) defendeu a ação, alegando que Renee tentou atropelar os agentes em um “ato de terrorismo doméstico”, o que justificaria a legítima defesa. A mulher, formada em escrita criativa e premiada pela Academia de Poetas Americanos, era mãe de três filhos e, segundo sua família, uma cristã devota sem ligações com o ativismo.
A resposta federal e a ameaça da Lei de Insurreição
Em resposta aos protestos, o presidente Donald Trump já enviou cerca de 3.000 agentes de imigração e da Patrulha da Fronteira para Minnesota. Ele também ameaçou publicamente invocar a Lei de Insurreição, que concede ao presidente o poder de mobilizar as Forças Armadas ou federalizar a Guarda Nacional para reprimir levantes.
Trump alega que manifestantes têm atacado agentes do ICE no estado. Sem invocar a lei formalmente, o governo ainda pode mobilizar tropas da ativa para proteger prédios federais, medida já adotada no ano passado em Los Angeles. O Departamento de Defesa, renomeado como Departamento de Guerra pela administração Trump, também pode acionar as recém-criadas forças de resposta rápida da Guarda Nacional.
O presidente justifica o envio em massa de forças federais citando um suposto escândalo de corrupção e desvio de verbas de assistência social em Minnesota. A Reuters informa que o governo tem visado especificamente a comunidade de imigrantes somalis do estado.
Críticas locais e tensão crescente
As medidas federais são veementemente criticadas pelas autoridades locais. O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, alertou que qualquer nova mobilização militar só aumentaria as tensões na cidade, que já vive um clima de confronto desde a morte de George Floyd em 2020 – ocorrida a apenas 1,6 km do local onde Renee foi morta.
Em entrevista à NBC, Frey foi categórico: “Um novo envio seria uma medida chocante. Não precisamos de mais agentes federais para manter as pessoas seguras. Nós estamos seguros.” Sua declaração reflete o temor de que a presença massiva de forças federais, e agora a possível chegada de soldados, possa inflamar ainda mais os ânimos.
A situação permanece volátil, com a sombra de um conflito mais amplo pairando sobre Minnesota. A decisão de colocar 1.500 soldados em alerta máximo sinaliza que o governo federal está preparado para uma intervenção militar de grande escala, caso julgue necessário, enquanto a população e as lideranças locais clamam por desescalada e justiça.