Uma rede de postos de combustíveis localizada em Rio Branco, no Acre, tornou-se alvo de investigação do Ministério Público do Acre (MP-AC) sob suspeita de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. A operação foi deflagrada na última quinta-feira, dia 23, em um estabelecimento situado na região central da capital acreana.
Indícios de sonegação e ocultação de valores
De acordo com as apurações conduzidas pelo MP-AC, há fortes indícios de que o grupo empresarial tenha deixado de recolher mais de R$ 1 milhão em impostos devidos ao estado. Além disso, as autoridades suspeitam que a organização tenha atuado de forma estruturada para ocultar valores e dificultar a ação do fisco.
Durante a operação, foram apreendidas máquinas de cartão de crédito que, segundo os investigadores, seriam utilizadas para burlar a fiscalização estadual. Também foram registradas infrações que reforçam as suspeitas de irregularidades. O objetivo da ação é responsabilizar os envolvidos e recuperar os recursos que teriam sido desviados dos cofres públicos. O caso permanece sob investigação.
Envolvimento de múltiplos órgãos
A operação contou com o apoio de diversas instituições, incluindo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), o Instituto de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon), o Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) e a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários (Defaz). Essa atuação conjunta visa ampliar a eficácia das investigações e coibir práticas ilegais no setor de combustíveis.
Fiscalização anterior e irregularidades detectadas
Entre os dias 10 e 13 de março, o Procon-AC realizou uma ampla fiscalização em 40 estabelecimentos distribuídos por sete cidades do estado, após denúncias de consumidores sobre preços considerados abusivos. Desse total, 20 postos apresentaram algum tipo de irregularidade. Durante a ação, foram inspecionados 356 bicos de abastecimento, dos quais 14 foram reprovados. Também houve autuações e coleta de combustível para análise laboratorial.
As equipes de fiscalização verificaram itens como exposição de preços, qualidade do produto, formas de pagamento e funcionamento das bombas. As cidades abrangidas foram Rio Branco, Senador Guiomard, Bujari, Tarauacá, Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves e Mâncio Lima, com apoio do Ipem e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Na ocasião, o Ministério Público informou que acompanhava o caso e solicitou dados sobre a variação de preços dos combustíveis no estado.
Acre entre as gasolinas mais caras do país
Em janeiro deste ano, o preço médio da gasolina comum no Acre girava em torno de R$ 7,24 a R$ 7,25 por litro, posicionando o estado entre os que registram os valores mais altos do Brasil. Já o litro do biocombustível foi comercializado, em média, por R$ 5,99, o maior preço do ranking nacional.
Em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, os motoristas já sentem o impacto do novo reajuste no valor dos combustíveis. Com a atualização, o aumento foi de aproximadamente R$ 0,20 na gasolina e no diesel comum. Em março, a guerra no Oriente Médio elevou o preço do barril de petróleo de cerca de US$ 60 para mais de US$ 100, encarecendo a matéria-prima utilizada na produção de combustíveis. No dia 14 daquele mês, a Petrobras anunciou um reajuste de R$ 0,38 por litro no diesel para as distribuidoras.



