Cassação do prefeito Coronel Sandro em Governador Valadares após maratona de 12 horas
Cassação do prefeito Coronel Sandro após 12 horas de sessão

Julgamento do prefeito Coronel Sandro dura mais de 12 horas e termina com cassação

O prefeito de Governador Valadares, Coronel Sandro (PL), teve o mandato cassado pela Câmara Municipal após uma sessão extraordinária que se estendeu por aproximadamente 12 horas nesta quinta-feira (14). A votação final resultou em 18 votos a favor da cassação e apenas 3 contrários, superando os 14 votos necessários, equivalentes a dois terços da Casa. Os vereadores analisaram três infrações político-administrativas relacionadas ao transporte escolar do município.

O que motivou a cassação de Coronel Sandro

O processo de cassação teve início em fevereiro, com uma denúncia protocolada pelo empresário Fabiano Márcio da Silva, do setor de transportes. Segundo a acusação, a prefeitura contratou o transporte escolar sem realizar uma licitação tradicional, utilizando um modelo de credenciamento considerado inadequado. Além disso, a empresa começou a operar antes da assinatura oficial do contrato, e posteriormente a prefeitura autorizou um pagamento de mais de R$ 2,7 milhões por meio de reconhecimento de dívida para regularizar o período sem cobertura contratual. Outro ponto levantado foi o aumento expressivo na quilometragem diária percorrida pelos ônibus, sem justificativa técnica, gerando suspeita de sobrepreço. Para a maioria dos vereadores, houve falhas no planejamento e irregularidades incompatíveis com o cargo de prefeito. Durante a investigação, Coronel Sandro negou as irregularidades e alegou motivação política no processo.

Como foi a votação

Os vereadores votaram separadamente cada uma das três infrações. A primeira tratou da contratação inadequada do transporte escolar; a segunda, de omissão e negligência com bens municipais, devido ao suposto sobrepreço e falhas na licitação; e a terceira, de atos incompatíveis com a dignidade do cargo. Nas três votações, o placar foi idêntico: 18 votos pela cassação e 3 contrários. Os vereadores que votaram a favor foram: Alê Ferraz (Novo), Amaral do Povo (Avante), Betão do Porto (União Brasil), Dandan Cesário (União Brasil), Fernanda Braz (DC), Geisa Luana (PP), Gilsa Santos (PT), Igor Costa (União Brasil), Igor Erick (Mobiliza), Jackes Keller (PMB), Jamir Calili (PP), Kátia do Betinho Detetive (PSDB), Ley do Mãe de Deus (PMB), Roncali da Farmácia (PRD), Sandra Perpétuo (PT), Valdivino Lima (Avante), Waguinho (DC) e Will Sirlei (PL). Já os contrários foram Ademar do Turmalina (MDB), Jepherson Madureira (Republicanos) e Ulysses Gomes (Republicanos).

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Sessão teve lotação máxima e queda de energia

A galeria da Câmara ficou lotada, com capacidade para 100 pessoas, e parte do público acompanhou do lado de fora. Dez seguranças foram contratados para a sessão. Durante a tarde, uma queda de energia atingiu o prédio da Prefeitura e da Câmara, interrompendo os trabalhos. Mesmo sem energia, a leitura das alegações finais da defesa continuou com microfone portátil, caixa de som e lanternas. Posteriormente, um caminhão com gerador foi acionado e o fornecimento foi restabelecido. A suspeita inicial de sabotagem foi descartada pela Polícia Civil, que apontou sobrecarga como causa.

Defesa e pronunciamentos

Após a leitura do processo, apenas o vereador Jepherson Madureira (Republicanos), líder do governo, se manifestou, declarando voto contra a cassação por falta de comprovação de infração. A defesa do prefeito, liderada pelo advogado Thiago Azevedo de Castro, criticou o processo e apontou falhas nas diligências. Coronel Sandro compareceu ao plenário após cerca de 10 horas de sessão, afirmou que "perdoava" alguns vereadores e criticou um empresário supostamente envolvido. Ele disse que respeitaria o resultado.

Reações após a cassação

O advogado Mauro Bomfim classificou a decisão como política e não técnica, e anunciou que a defesa recorrerá à Justiça. Coronel Sandro declarou: "A maior injustiça que aconteceu em Governador Valadares foi hoje no plenário desta Câmara". A defesa também pretende questionar o voto do presidente da Câmara, Alê Ferraz, por entender que ele só poderia votar em situações específicas. O denunciante Fabiano Márcio da Silva disse que esperava "lisura" da Câmara e que, apesar de ter votado em Coronel Sandro, acreditava nas irregularidades.

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Mourão assume a prefeitura

Com a cassação, o vice-prefeito José Bonifácio Mourão assume o cargo. A posse foi convocada para esta sexta-feira (15), às 10h, no plenário da Câmara Municipal, com transmissão ao vivo pelas redes oficiais do Legislativo.