A Polícia Federal (PF) deu início, nesta semana, à segunda fase da Operação Compliance Zero, uma ampla investigação que apura crimes de organização criminosa e gestões fraudulentas em instituições financeiras. Nesta etapa, as autoridades estão cumprindo 42 mandados de busca e apreensão em cidades de cinco estados brasileiros: São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
Bloqueio bilionário de bens determinados pelo STF
Além das buscas, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que, somados, ultrapassam a cifra de 5,7 bilhões de reais. As ordens judiciais têm como alvo investigados suspeitos de envolvimento em esquemas complexos de fraudes no sistema financeiro nacional.
A operação tem como foco principal apurar a prática de crimes por organizações criminosas e a gestão fraudulenta de instituições financeiras. As investigações buscam desvendar os detalhes de operações irregulares que podem ter causado prejuízos milionários.
Relembre a primeira fase e a prisão do banqueiro
A Operação Compliance Zero foi deflagrada inicialmente em 18 de novembro de 2025. Seu objetivo era combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional. Na ocasião, a PF cumpriu cinco mandados de prisão, dois de prisão temporária e 25 de busca e apreensão.
Um dos momentos mais marcantes da primeira fase foi a prisão do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ele foi detido pela Polícia Federal quando tentava embarcar em um voo com destino a Dubai, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Sua defesa afirmou, na época, que a viagem tinha motivos profissionais.
Investigações começaram em 2024
As apurações tiveram início ainda em 2024, a partir de um pedido do Ministério Público Federal (MPF). O órgão solicitou a verificação de uma possível fabricação de créditos sem lastro real (insubsistentes) por uma instituição financeira. Esses títulos fraudulentos teriam sido vendidos a outro banco.
Após uma fiscalização do Banco Central, os créditos irregulares teriam sido substituídos por outros, mas sem qualquer avaliação técnica adequada que justificasse a transação, indicando uma tentativa de acobertamento das irregularidades.
O balanço da primeira fase da operação apontou apreensões que totalizaram cerca de 230 milhões de reais. O item de maior valor confiscado foi um jato particular, avaliado em aproximadamente 200 milhões de reais, pertencente ao empresário Daniel Vorcaro.
A segunda fase da Operação Compliance Zero marca a intensificação das investigações sobre um dos maiores casos de suposta fraude financeira em andamento no país, com desdobramentos que continuam a ser apurados pelas autoridades policiais e pelo Judiciário.