Megaoperação desmantela esquema bilionário de jogo do bicho com prisão de pai e filho empresários
Uma operação policial de grande porte resultou na prisão de um pai e seu filho, ambos empresários, suspeitos de participarem de um esquema de jogo do bicho que movimentou valores superiores a R$ 2 bilhões. Os dois foram detidos nesta quarta-feira (8) em Goiânia, momentos antes de embarcarem para um evento de apostas esportivas.
Digitalização do crime organizado
Os investigados eram responsáveis pela digitalização do jogo do bicho, desenvolvendo e comercializando a tecnologia para todo o território nacional. Segundo as autoridades, eles atuavam como peças-chave na modernização e expansão das atividades ilícitas.
A operação, batizada de "Megaoperação", contou com a mobilização de mais de 330 policiais civis e três aeronaves para cumprir mandados em múltiplas localidades. Em Goiás, as ações se concentraram em:
- Valparaíso de Goiás, no Entorno do Distrito Federal
- Anápolis, na região central do estado
- Goiânia, capital estadual
Investigação de três anos desvenda estrutura complexa
De acordo com a Polícia Civil do Paraná, a investigação teve início há mais de três anos na cidade de Grandes Rios, no Norte do Paraná. O trabalho minucioso analisou mais de 2,6 terabytes de dados para mapear completamente a estrutura do grupo criminoso.
O Ministério Público do Paraná informou que, somente em Goiás, havia quatro alvos identificados, com três prisões efetivadas e apreensão significativa de bens. A operação conjunta entre polícia e Ministério Público alcançou resultados expressivos em escala nacional.
Alcance nacional e prejuízos bilionários
A megaoperação atingiu 27 cidades em cinco estados diferentes:
- Paraná
- Santa Catarina
- São Paulo
- Pará
- Goiás
No total, foram 61 pessoas presas, incluindo as principais lideranças da organização, membros dos núcleos financeiro e operacional, e até dois vereadores do Paraná. O grupo criminoso operava com um sistema sofisticado para atrair vítimas e lavar o capital acumulado ilegalmente.
Métodos de atuação e valores movimentados
O esquema utilizava empresas de fachada e contas de terceiros para ocultar a origem ilícita dos recursos. Os valores eram obtidos principalmente através de:
- Apostas esportivas
- Jogos online, incluindo o popular "Tigrinho"
- Operações de jogo do bicho digitalizado
Durante uma década de atividades, o grupo realizou 520 mil operações financeiras, movimentando uma cifra bilionária que chamou a atenção das autoridades. A operação conseguiu remover da internet 21 sites de apostas ilegais que eram utilizados para viabilizar as fraudes.
Medidas judiciais e apreensões recordes
A Justiça determinou o cumprimento de 371 ordens judiciais, incluindo medidas cautelares e de bloqueio de ativos. Entre as principais determinações estão:
- Bloqueio de R$ 1,5 bilhão em contas bancárias
- Apreensão de 132 veículos avaliados em R$ 11 milhões
- Confisco de 111 imóveis que somam mais de R$ 32 milhões
- Sequestro de cem cabeças de gado
As apreensões incluíram bens luxuosos que demonstravam o padrão de vida elevado mantido pelos investigados com recursos provenientes das atividades ilícitas.
Impacto no combate ao crime organizado
Esta operação representa um dos maiores golpes contra o jogo do bicho nos últimos anos no Brasil, especialmente por atingir a estrutura de digitalização que permitia a expansão nacional do esquema. As autoridades destacam que a investigação continuará para identificar possíveis conexões com outros grupos criminosos e recuperar mais recursos desviados.
O caso evidencia a sofisticação crescente do crime organizado no país, que vem utilizando tecnologia avançada e estruturas empresariais aparentemente legítimas para camuflar atividades ilícitas de grande escala.



