Mulher perde R$ 10 mil após negociar casa e não receber imóvel em Ribeirão Preto
A conferente de logística Camila Kauiza Luna da Silva afirma ter sido enganada pela corretora de imóveis Josiane Maria Barbosa Passos e perdeu R$ 10 mil de entrada em uma casa que nunca foi adquirida. A negociação, que parecia promissora, transformou-se em um pesadelo financeiro para a vítima, que agora enfrenta dificuldades para recuperar o valor investido.
Múltiplas vítimas e investigação policial
Pelo menos sete boletins de ocorrência já foram registrados contra Josiane pelo crime de estelionato, revelando um padrão de atuação que tem prejudicado diversas famílias. Em um dos casos mais chocantes, uma das vítimas descobriu uma família morando no imóvel que supostamente estava sendo negociado, evidenciando a gravidade das alegações.
A revolta de Camila é ainda maior porque antes dela, o próprio irmão havia comprado uma casa através de Josiane sem enfrentar problemas. "Eu me sinto arrasada. Ela destruiu o nosso sonho, porque eu pensei que ia ter uma casa para os meus filhos e hoje eu continuo pagando aluguel e sem dinheiro", desabafa a vítima.
Método do golpe e descoberta
Segundo relatos das vítimas, Josiane cobrava pagamentos antecipados como garantia para evitar que os imóveis fossem alugados ou vendidos para outras pessoas. No entanto, as propriedades continuavam disponíveis no mercado, indicando que as transações nunca eram formalizadas.
Camila percebeu que havia caído em um golpe quando a negociação não avançava e ela ainda não tinha visitado o imóvel. "Comecei a estranhar, minha cunhada pesquisou e viu que tinha muita gente que estava levando golpe dela", conta. Ao questionar a corretora, recebeu a negativa de qualquer irregularidade e ainda foi solicitada a pagar mais R$ 2 mil, pedido que recusou.
A descoberta definitiva aconteceu quando Camila pediu ao ex-marido que passasse em frente à casa de interesse. Através de uma foto com o contato do verdadeiro corretor responsável pelo imóvel, ela descobriu que o proprietário nunca havia recebido qualquer proposta e não conhecia Josiane. "Essa casa não era dela e eu comecei a perceber ela só pedia dinheiro. Cada dia 'ah, precisa de tanto', eu só indo e nada", relata.
Consequências financeiras e emocionais
Os R$ 10 mil entregues à corretora representavam parte de uma rescisão trabalhista e economias que Camila vinha guardando cuidadosamente. "Está fazendo muita falta, foi um dinheiro suado. Trabalhei muito, juntei esse dinheiro. Eu recebi uma rescisão do meu trabalho e tinha outro dinheiro que eu estava juntando, de uma casa que foi vendida, que era da minha mãe", explica emocionada.
A situação também afetou emocionalmente o irmão de Camila, que havia indicado a corretora. "Ele ficou muito mal, só que eu nunca culpei meu irmão, porque como que ele ia saber? Não tinha como ele saber que ela ia aplicar um golpe, que ela estava aplicando um golpe já há algum tempo", pondera a vítima.
Medidas institucionais e defesa
Em 2024, quando os primeiros casos vieram à tona, a polícia iniciou uma investigação sobre as atividades de Josiane. O Conselho Regional de Corretores de Imóveis suspendeu o registro profissional da corretora, mas ela continua atuando no mercado.
À EPTV, afiliada da TV Globo, a defesa de Josiane informou que ela ainda não foi chamada para prestar esclarecimentos à Polícia Civil e que, caso as denúncias sejam comprovadas, a corretora se compromete a indenizar as pessoas lesadas.
O caso serve como alerta para quem busca realizar o sonho da casa própria, destacando a importância de verificar cuidadosamente as credenciais dos profissionais envolvidos e acompanhar de perto todas as etapas do processo de compra.



