Empresas de Teló e Thaís Fersoza buscam pagamento de dívida milionária de Doni nos Estados Unidos
Decisões recentes da Justiça americana obrigam a empresa D32, do ex-goleiro da Seleção Brasileira Doniéber Alexander Marangon, conhecido como Doni, a pagar US$ 812 mil (equivalente a R$ 4,2 milhões) a empresas ligadas ao cantor sertanejo Michel Teló e à atriz Thaís Fersoza. Os investimentos foram realizados no mercado imobiliário dos Estados Unidos, mas enfrentam problemas de inadimplência.
Processos judiciais em andamento
Segundo documentos obtidos junto ao tribunal do Condado de Miami-Dade, os processos contra a companhia de Doni começaram em 2024 e ainda não resultaram na devolução dos valores. Os montantes seguem sendo corrigidos por juros enquanto não forem quitados. Nos Estados Unidos, os condados funcionam como divisões administrativas intermediárias dentro dos estados, abrangendo diferentes municípios e tratando de causas cíveis entre pessoas e empresas.
Nas ações judiciais, os representantes legais alegam que a empresa de Doni, que atua com empreendimentos na Flórida, tomou empréstimos de US$ 450 mil de companhias ligadas a Teló e Thaís Fersoza. A promessa era de devolução com ganhos baseados em uma taxa de juros anual de 15%, o que não ocorreu dentro do prazo estabelecido.
Advogada confirma ganho de causa e fase de execução
A advogada Juliana Leite, conhecida por participar da 4ª edição do Big Brother Brasil, atua em defesa das empresas gerenciadas por Michel Teló e Thaís Fersoza nos Estados Unidos. Em entrevista exclusiva, ela confirmou o ganho de causa nos processos e que eles estão em fase de execução, com busca de bens da D32 para quitar as dívidas.
"A gente está em negociação, porque essa parte de execução nos Estados Unidos, eles têm que nomear os bens. Já recebemos uma série de informações e estamos nessa fase de execução", declarou Juliana Leite. As decisões definitivas, que atualizaram os valores a serem pagos, ocorreram entre o fim do ano passado e o início deste ano.
Resposta de Doni e contexto do ex-goleiro
Em nota, Doni informou que é sócio há mais de oito anos da incorporadora que atua na região central da Flórida, a qual atualmente passa por um processo de reestruturação societária e renegociação de contratos. Ele afirmou que houve divergências pontuais com determinados clientes, todas submetidas regularmente à apreciação do Poder Judiciário e tratadas de forma técnica e dentro da legalidade.
Em outro comunicado divulgado nas redes sociais, Doni disse ter firmado acordos com a maioria dos investidores, possui recursos para honrar os contratos e atribuiu os problemas dos empreendimentos a questões econômicas, como o aumento da taxa de juros nos EUA. Revelado em Ribeirão Preto (SP), onde iniciou no futebol, Doni jogou em grandes equipes como Corinthians, Roma e Liverpool, além de ter atuado na Seleção Brasileira. Após encerrar a carreira em 2013, tornou-se empresário e um dos sócios da D32.
Detalhes dos processos contra a D32
Um levantamento nos condados de Miami-Dade e Orange, dentro do estado da Flórida, revela ao menos 29 processos ajuizados contra a D32, a maioria relacionados a quebras contratuais. Em Orange, são 22 ações, incluindo uma do jogador do Santos Willian Souza Arão da Silva, que investiu US$ 200 mil em um projeto imobiliário. Em Miami-Dade, há mais 7 processos, com ações de empresas gerenciadas por Michel Teló e Thaís Fersoza.
Juliana Leite, especializada em quebras contratuais nos EUA, explicou: "São disputas empresariais, empresas que fizeram investimentos, projetos que não foram entregues e a dívida não foi paga. Todos são uma situação clássica do que a gente chama em inglês de breach of contract, uma quebra de contrato".
Valores específicos das dívidas
No processo aberto no condado de Miami-Dade, a M. Participações, representada por Michel Teló, alegou que em dezembro de 2021 emprestou US$ 300 mil para a empresa de Doni com promessa de retorno de 15%. Após sentença favorável em fevereiro do ano passado, uma nova decisão de janeiro deste ano estabeleceu US$ 520,6 mil como valor final do pagamento devido, incluindo juros e honorários advocatícios.
Já a Thaiti Magic Investments, ligada a Thaís Fersoza, exigiu a devolução de US$ 150 mil, que subiram para US$ 292 mil na data da sentença definitiva em novembro do ano passado. Juliana Leite destacou: "O processo que a gente atua é bem simples: temos uma nota promissória, que é uma dívida e não tem garantia real. A gente está simplesmente executando uma dívida que não foi paga".
Tentativas de acordo e situação atual
Segundo a advogada, os casos relacionados a Michel Teló e Thaís Fersoza estão entre os processos com ganho de causa que já resultaram em sentenças determinando a devolução de US$ 1,5 milhão. Ela afirmou que os investidores foram atraídos pela proposta da D32 por confiança e porque os projetos pareciam promissores inicialmente, com terrenos bem localizados na Flórida.
Juliana Leite revelou que a D32 tentou estabelecer acordos extrajudiciais de novação da dívida, mas ela recomendou aos clientes não aceitarem: "Eu recomendei aos meus clientes não fazerem isso, porque nós já tínhamos uma dívida executada na Justiça e esse julgamento nos dá prioridade de recebimento". Ela confirmou ter um cliente que preferiu aderir ao acordo extrajudicial, mas que ainda não recebeu da D32, com débito superior a US$ 1 milhão.
A advogada finalizou explicando que mesmo o cliente que aceitou a reestruturação da dívida enfrentou descumprimento de novas datas de maturidade estabelecidas, mantendo a situação de inadimplência por parte da empresa do ex-goleiro.



