PF descobre uso de criptomoedas em esquema bilionário de lavagem ligado a MC Ryan SP
Criptomoedas usadas em lavagem de dinheiro de MC Ryan SP, diz PF

PF desvenda esquema bilionário com criptomoedas envolvendo funkeiros presos

Uma investigação aprofundada da Polícia Federal (PF) revelou detalhes alarmantes sobre um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que movimentou aproximadamente R$ 1,6 bilhão, utilizando criptomoedas como principal ferramenta para ocultar a origem ilícita dos recursos. O caso tem como figuras centrais os funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, ambos presos na última semana durante uma operação de grande porte.

Áudios inéditos expõem conversas sobre bitcoins e proteção patrimonial

O programa Fantástico obteve acesso exclusivo a gravações que mostram diálogos diretos entre MC Ryan SP e o contador Rodrigo Morgado, apontado pela PF como peça fundamental na organização criminosa. Em um dos áudios, Ryan solicita: "Você consegue fazer um favor para mim lá do bagulho do bitcoins? Tem o que a gente conta ali para pegar, mano". Em outra conversa, Rodrigo orienta sobre como esconder bens: "Aqui nós não brincamos em serviço não, meu amigo, não coloca no nome do Rian. Proteção patrimonial, lembra que eu te falei aquele dia".

Estratégias complexas para burlar sistemas de monitoramento

Além das criptomoedas, a investigação identificou múltiplas táticas empregadas pelo grupo para dificultar o rastreamento financeiro:

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  • Fracionamento bancário: Grandes quantias eram divididas em centenas de depósitos menores para reduzir a chance de detecção pelos sistemas antifraude.
  • Uso de redes sociais: Plataformas digitais serviam para impulsionar ganhos com publicidade de jogos ilegais, com cachês que podiam alcançar R$ 400 mil diários.
  • Estabelecimentos comerciais: Um restaurante em São Paulo, ligado a pessoas próximas a MC Ryan, recebeu depósitos de mais de 150 indivíduos com valores incompatíveis com serviços prestados.

Operação abrangente e apreensões milionárias

A operação policial, batizada de "Lavagem Cripto", foi executada em oito estados brasileiros e no Distrito Federal, resultando em:

  1. Cumprimento de mandados de prisão contra os principais investigados.
  2. Apreensão de bens avaliados em cerca de R$ 20 milhões, incluindo veículos de luxo e propriedades.
  3. Identificação de conexões com organizações criminosas atuantes no tráfico de drogas e outros crimes financeiros.

Defesas negam acusações e prometem esclarecimentos

Em nota oficial, a defesa de MC Ryan SP contestou veementemente as acusações, afirmando que o artista possui contratos comerciais legítimos que justificam todas as suas movimentações financeiras. Os advogados de MC Poze do Rodo também negaram qualquer envolvimento com atividades ilícitas e anunciaram que apresentarão esclarecimentos detalhados à Justiça brasileira nas próximas semanas.

A investigação continua em andamento, com a PF analisando milhares de documentos e transações financeiras para desvendar completamente a extensão desta operação que mistura celebridades do funk, tecnologia financeira e crime organizado em um dos maiores casos de lavagem de dinheiro já descobertos no país.

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