Promotoria de Paris acusa Elon Musk de incentivar 'deepfakes' sexuais para valorizar o X
Musk acusado de incentivar deepfakes sexuais para valorizar o X

Promotoria francesa acusa Elon Musk de manipulação com deepfakes sexuais

A Promotoria de Paris fez uma grave acusação contra o bilionário Elon Musk neste sábado, 21 de março de 2026. Segundo as autoridades francesas, Musk teria incentivado deliberadamente a produção e disseminação de "deepfakes" de teor sexual na plataforma X (antigo Twitter) com um objetivo financeiro específico: aumentar artificialmente o valor da empresa.

Estratégia para valorização artificial

De acordo com a denúncia formal, a polêmica gerada pelos vídeos falsos produzidos pelo Grok - a inteligência artificial do X - teria sido orquestrada estrategicamente. "A polêmica provocada pelos 'deepfakes' de conteúdo sexual explícito produzidos pelo Grok poderia ter sido deliberadamente instigada com o objetivo de aumentar artificialmente o valor das empresas X e xAI", declarou oficialmente a Promotoria de Paris.

Os promotores franceses especificaram que essa suposta manipulação ocorreria em um momento crucial: próximo à abertura de capital em junho de 2026 da nova entidade que surgiria da fusão entre Space X e xAI. Essa movimentação financeira tornaria o aumento do valor das empresas particularmente vantajoso para Musk e seus investidores.

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Resposta agressiva de Musk

A reação do bilionário foi imediata e contundente. Ao responder em francês a uma matéria da AFP sobre o caso diretamente no X, Musk qualificou os promotores franceses como "deficientes mentais". O advogado do X na França, quando contactado pela agência de notícias, preferiu não comentar a acusação inicialmente.

A Promotoria informou que já havia entrado em contato, na última terça-feira, com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e com advogados franceses na Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) para compartilhar suas preocupações e evidências sobre o caso.

Funcionalidade polêmica do Grok

O Grok, que possui sua própria conta no X, permitia até recentemente que usuários marcassem o bot em publicações para solicitar a geração ou edição de imagens. Essa funcionalidade causou grande indignação no início de 2026, quando começaram a circular pedidos para criação de imagens de mulheres e meninas nuas sem qualquer consentimento.

Os deepfakes - vídeos gerados por inteligência artificial que criam versões extremamente realistas de pessoas reais - tornaram-se um problema crescente nas plataformas digitais, especialmente quando envolvem conteúdo sexual explícito e figuras públicas.

Investigações ampliadas

Esta não é a primeira vez que o X enfrenta escrutínio das autoridades francesas. Desde o ano passado, a plataforma já era investigada por suspeitas de que seu algoritmo foi utilizado para interferir na política francesa. Agora, o inquérito foi ampliado para incluir também a disseminação, através do Grok, de negacionismo do Holocausto e dos vídeos falsos de teor sexual.

Em fevereiro de 2026, as autoridades francesas já haviam convocado Musk para uma "entrevista voluntária" e revistado os escritórios locais do X na França, ação que o bilionário classificou na época como um "ataque político".

Escândalo internacional

O caso ganhou proporções internacionais, com o Reino Unido e a União Europeia também abrindo investigações separadas sobre a criação de deepfakes sexualizados de mulheres e crianças pelo chatbot Grok. As autoridades europeias demonstram crescente preocupação com os limites éticos da inteligência artificial e sua regulamentação.

Esta acusação representa mais um capítulo na relação conturbada entre Elon Musk e reguladores europeus, que têm se mostrado cada vez mais rigorosos no controle de plataformas digitais e tecnologias emergentes que possam violar direitos fundamentais ou manipular mercados financeiros.

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