Influencer que investiu R$ 100 mil para imitar Cauã Reymond pode retornar à prisão no Ceará
O influenciador digital Gleiciano Martins de Sousa, também conhecido como Junior Azevedo, residente no município de Eusébio, na região metropolitana de Fortaleza, pode ser preso novamente após pedido do Ministério Público do Ceará. O órgão alega que ele estaria descumprindo medidas cautelares determinadas pela Justiça ao retomar a publicação de conteúdo em suas redes sociais, uma condição expressamente proibida em sua liberdade assistida.
Histórico de notoriedade e envolvimento criminal
Gleiciano ganhou destaque nacional após revelar que gastou mais de R$ 100 mil em cirurgias plásticas e harmonização facial com o objetivo de se assemelhar ao ator Cauã Reymond. No entanto, sua trajetória tomou um rumo sombrio quando, em 2025, foi preso acusado de integrar uma organização criminosa voltada para estelionato, crimes contra a economia popular e lavagem de dinheiro. O esquema operava através da exploração de jogos de azar eletrônicos fraudulentos, popularmente chamados de "Jogo do Tigrinho".
Após a prisão, ele foi liberado sob o uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares, que incluíam a proibição absoluta de acesso à internet e redes sociais. Contudo, segundo o Ministério Público, Gleiciano tem violado essa restrição de forma reiterada e sistemática, publicando vídeos que relatam sua experiência no cárcere, a dinâmica da vida prisional e sua rotina com a tornozeleira eletrônica.
Argumentos do Ministério Público e defesa
Em documentos, o MP argumenta que a conduta do influenciador demonstra "total desprezo e escárnio pelas restrições impostas", transformando sua situação de egresso do sistema prisional em uma ferramenta para aumentar sua popularidade virtual. Recentemente, seus conteúdos têm assumido um tom político, onde ele se identifica como militante de direita e "ex-petista que acordou".
Diante disso, o órgão ministerial solicitou a prisão preventiva, alegando que as medidas cautelares se tornaram inócuas. Em resposta, a defesa de Gleiciano, representada pela advogada Elaine Maria Mota Araújo, ingressou com um pedido de habeas corpus preventivo, sustentando que ele está sob "ameaça concreta e iminente de restrição à sua liberdade de locomoção".
Detalhes da investigação "Operação Quéfren"
A investigação que levou à prisão inicial de Gleiciano, batizada de "Operação Quéfren", revelou que ele desempenhava um papel essencial no esquema criminoso, atuando na captação de vítimas e ocultação de capitais. Em março de 2024, foi contatado pela líder do grupo, que lhe ofereceu R$ 10 mil para recrutar 500 pessoas para a plataforma fraudulenta.
Para convencer possíveis vítimas, ele utilizava uma "conta demo", perfil programado para simular ganhos falsos e vitórias fáceis. Além disso, a investigação constatou que, entre novembro de 2023 e abril de 2024, Gleiciano movimentou R$ 5.023.593,00, valor considerado incompatível com suas atividades lícitas declaradas.
O caso segue em análise pela Justiça, que deverá decidir sobre o pedido de prisão e o futuro jurídico do influenciador, cuja trajetória mistura fama digital, investimentos estéticos altos e graves acusações criminais.



