Fãs de Luan Santana sofrem golpe na compra de ingressos para show em Fortaleza
Fãs do cantor Luan Santana estão denunciando terem sido vítimas de um golpe ao tentar adquirir ingressos para o show da turnê Registro Histórico, que será realizado no estacionamento da Arena Castelão, em Fortaleza, no dia 15 de agosto. Segundo relatos das vítimas ouvidas pelo g1, o esquema fraudulento ocorreu a partir de um "grupo vip" no WhatsApp disponibilizado pela Q2 Ingressos, empresa responsável pela venda oficial dos ingressos.
Como o golpe foi aplicado
O golpe aconteceu após a abertura da pré-venda, na segunda-feira (6). A auxiliar de biblioteca Giselle Moreira explicou detalhadamente como foi enganada: "Esse grupo foi disponibilizado no próprio site da empresa. Lá eles divulgavam informações sobre o show. No dia do início das vendas dos ingressos, colocaram um link nesse grupo informando que eram os últimos ingressos do 1º lote e iriam colocar com desconto antes de abrir para venda geral. Cliquei, verifiquei que tinha a marca da Q2 Ingressos e comprei dois vips por R$ 432".
Após realizar o pagamento via Pix, Giselle não recebeu os ingressos e percebeu que havia caído em uma armadilha. "Somente os administradores podiam enviar mensagens nesse grupo. Tentei falar com eles, mas ninguém respondeu. Aí fui olhar o banco para onde tinha enviado o valor e descobri que era diferente do banco da venda geral", relatou a jovem. Ela registrou um Boletim de Ocorrência, abriu uma reclamação em um site de reputação de empresas e conseguiu reaver a quantia perdida.
Mais vítimas e indignação
O motorista de aplicativo Samuel Sousa, que participava do mesmo grupo que Giselle, também foi vítima do golpe e teve um prejuízo de R$ 168 ao tentar comprar dois ingressos para a Pista Premium. "O que me deixa indignado é que esses grupos não foram feitos por fãs. Estavam sendo divulgados pela própria plataforma da Q2 [empresa], no Instagram deles e no canal oficial do Luan Santana. Mesmo após os primeiros relatos de fraudes os grupos não foram desabilitados e mais pessoas ficaram caindo", desabafou Samuel Sousa.
O homem também registrou Boletim de Ocorrência, mas ainda não conseguiu recuperar o dinheiro. Para conseguir ir ao show, ele usou uma reserva financeira e comprou outros ingressos pelo site oficial por mais do dobro do valor inicial.
Histórias de decepção e alerta
Além de Samuel e Giselle, outras pessoas da capital cearense alegam que também foram lesadas pelo "golpe do ingresso" e fizeram um grupo para compilar as denúncias. Um caso emocionante envolve o irmão de Tainá Monteiro, um estudante de 17 anos, fã do Luan Santana que tinha o sonho de ir pela primeira vez no show do ídolo. Ele perdeu R$ 80 ao tentar comprar um ingresso na modalidade meia-estudantil.
Tainá Monteiro relatou: "Chegou uma mensagem nesse grupo falando sobre aberturas de vagas para comprar ingressos de uma meia-social que já havia esgotado anteriormente. Ele emocionado, clicou no link, fez cadastro e pagou no Pix. Ele chorou muito, ficou bastante abalado, pois já vinha juntando esse dinheiro para ir ao show e depois não conseguiu mais comprar". Para evitar que outras pessoas passassem pela mesma situação, Tainá gravou um vídeo e publicou nas redes sociais como forma de alerta.
Resposta oficial e investigações
No mesmo dia do início da pré-venda, a página da turnê Registro Histórico fez uma postagem alertando sobre as fraudes e repassando alguns cuidados para os fãs. Na ocasião, várias pessoas comentaram na publicação que foram vítimas da venda falsa. O g1 tentou contato com a Q2 Ingressos por telefone e pelas redes sociais, mas até a publicação desta reportagem não obteve resposta da empresa sobre as denúncias de golpe no "grupo vip" disponibilizado nas páginas oficiais.
A Polícia Civil do Ceará informou que apura denúncias de crimes de estelionato ocorridos em ambiente virtual. Segundo a corporação, dois Boletins Eletrônicos de Ocorrência (BEO) foram registrados por vítimas que teriam comprado ingressos em uma plataforma, mas não receberam nenhuma devolutiva sobre a aquisição. "Os casos são investigados pela 5ª e 12ª Delegacia de Polícia da Capital, unidades da PCCE que realizam diligências para elucidação", disse a Polícia Civil do Ceará.



