Uma professora de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, enfrentou uma situação de terror durante as férias com as filhas. O passeio pela capital paulista terminou com um prejuízo financeiro superior a R$ 80 mil, após o roubo do seu celular. O caso, que ocorreu na terça-feira, 13 de fevereiro, expõe os riscos dos golpes aplicados logo após furtos.
O momento do crime e a ação rápida dos bandidos
A família voltava de viagem do litoral, após passar férias no Guarujá, e enfrentava um congestionamento na Avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello, na Zona Leste de São Paulo. Foi quando um homem se aproximou do carro parado no trânsito e agiu com extrema rapidez. O criminoso quebrou o vidro do passageiro da frente, onde estava a filha mais velha, de 16 anos, e pegou o aparelho que estava no console central.
"Foi tudo muito rápido. A gente não vê de onde ele vem, só escuta o barulho do vidro estourando", relatou a vítima, uma coordenadora escolar de 40 anos que preferiu não ter a identidade revelada. Ela destacou que o celular não estava exposto no painel, mas mesmo assim foi localizado pelo ladrão. Preocupada com a segurança das duas filhas, de 16 e 9 anos, ela não reagiu.
A brecha digital e o prejuízo financeiro gigante
O grande problema foi que, no momento do furto, o telefone estava desbloqueado e com um aplicativo de navegação em uso. Essa falha de segurança deu acesso total aos criminosos. Em poucas horas, eles realizaram uma série de transações fraudulentas.
O prejuízo total superou a marca de R$ 80 mil, conforme a contabilidade feita pela professora. Em um dos bancos, foram feitos três empréstimos: um de R$ 332,59, outro de R$ 8 mil e um terceiro de R$ 28 mil, além de várias transferências via Pix. Em outra instituição financeira, também houve movimentações irregulares, com envio de valores para contas diferentes.
"Quando comecei a ver os valores, me deu um desespero. Não era um gasto pequeno, eram empréstimos e transferências altas. É um dinheiro que eu não tenho como pagar", desabafou a vítima. O golpe não parou por aí. Na noite de quarta-feira (14), ela ainda recebeu uma ligação sobre a tentativa de entrega de uma encomenda feita em seu nome através de aplicativos vinculados ao celular roubado.
As consequências e os próximos passos
Além do trauma do assalto e do impacto financeiro, a família precisou lidar com problemas logísticos e emocionais. Sem celular, a professora usou o aparelho da filha para ativar o GPS e conseguir sair de São Paulo, ainda com o vidro do carro quebrado. O conserto foi feito no dia seguinte, por conta própria, gerando mais uma despesa.
O registro do boletim de ocorrência também teve complicações. Feito online na noite do crime, o documento foi bloqueado, obrigando a vítima a ir a uma delegacia presencialmente no dia seguinte. Ela já contestou todas as transações fraudulentas junto aos bancos e planeja entrar com uma ação judicial para tentar reaver o dinheiro.
O maior impacto, contudo, pode ser o emocional, especialmente para as crianças. "Elas ficaram muito abaladas. A mais velha fala que não consegue tirar da cabeça o barulho do vidro quebrando. A menor agora tem medo até de ver alguém com celular perto do carro", contou a mãe. Apesar do susto, o alívio é que ninguém se feriu fisicamente. Até a conclusão desta reportagem, o autor do roubo não havia sido identificado pela polícia.