82% dos idosos paulistas já foram alvo de golpes virtuais, revela pesquisa da Fundação Seade
82% dos idosos paulistas já sofreram tentativas de golpes virtuais

Idosos são os mais vulneráveis a golpes virtuais em São Paulo, aponta estudo da Fundação Seade

Uma pesquisa inédita da Fundação Seade, divulgada neste mês, revela um cenário alarmante: 82% dos idosos com mais de 60 anos no Estado de São Paulo já sofreram ao menos uma tentativa de golpe virtual. O levantamento destaca que essa faixa etária é a que se sente mais insegura em relação a crimes cibernéticos, com 68% dos entrevistados expressando medo de serem vítimas. Em comparação, entre jovens de 18 a 29 anos, o índice de insegurança é 17 pontos percentuais menor, chegando a 51%.

Impactos vão além das perdas financeiras

Quando o golpe se concretiza, as consequências não se limitam ao prejuízo material. A aposentada Rosângela Pexe, de 70 anos, moradora de Piracicaba (SP), é um exemplo marcante. Ela foi vítima em três ocasiões distintas, o que a levou a entrar em depressão. "Vim de uma família bem caridosa, bem amorosa. A palavra vale muito, então a gente confia. Agora, hoje é uma outra realidade. As pessoas são más", lamentou a idosa, destacando o choque emocional ao descobrir um lado sombrio da humanidade que não imaginava.

Os golpes sofridos por Rosângela foram:

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  • Um empréstimo fraudulento no valor de R$ 3,1 mil feito em seu nome.
  • O saque total do dinheiro de sua aposentadoria.
  • Uma perda financeira após uma ligação de uma suposta agência de investimento.

Atualmente, ela tenta adotar uma postura mais cautelosa. "Estou começando a querer ficar esperta, mas tenho dificuldade pra isso", admitiu, refletindo a luta comum entre muitos idosos para se adaptar às ameaças digitais.

Tentativas de golpe afetam todas as faixas etárias

A pesquisa da Fundação Seade também mostra que, embora os idosos sejam os mais inseguros, as tentativas de golpe virtual são frequentes em outros grupos. Entre adultos de 30 a 44 anos, 91% relataram ter sido alvo, e na faixa de 45 a 59 anos, o índice chega a 92%. Isso indica que a vulnerabilidade é um problema generalizado, mas com impactos psicológicos mais profundos entre os mais velhos.

Em Piracicaba, o psicólogo Hermas Amaral, de 40 anos, compartilha sua experiência. Ele afirma ser alvo de tentativas de extorsão por e-mail semanalmente, com abordagens variadas, como:

  1. Contato de suposto funcionário da Receita Federal alegando bloqueio do CPF.
  2. Mensagens de falsos representantes dos Correios sobre encomendas presas e taxas a pagar.
  3. Golpistas se passando por policiais de Portugal.

Para se proteger, Hermas utiliza um dispositivo semelhante a um pen drive em seu computador, que valida o acesso a contas importantes. "Ainda, graças a deus, não caí em nenhum, mas para identificar está cada vez mais difícil", destacou, enfatizando a sofisticação crescente das fraudes.

Reflexões sobre segurança e confiança na era digital

Os dados da Fundação Seade servem como um alerta urgente para a necessidade de educação digital e medidas de proteção, especialmente para idosos. A combinação de insegurança elevada e experiências traumáticas, como a de Rosângela, sublinha que os golpes virtuais não são apenas uma questão financeira, mas também de saúde mental e bem-estar social. À medida que a tecnologia avança, estratégias de prevenção e apoio psicológico tornam-se essenciais para construir um ambiente online mais seguro para todos.

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