Vizinha relata terror ao presenciar execução de cachorro a tiros em Pará de Minas
A testemunha que registrou em vídeo o momento em que um morador de Pará de Minas, no Centro-Oeste de Minas Gerais, matou o próprio cachorro com múltiplos disparos revelou que ficou paralisada pelo medo durante a cena chocante. A mulher, que preferiu não se identificar por temer represálias, contou ao g1 que considerou gritar para tentar interromper a agressão, mas receou se tornar o próximo alvo do atirador.
"Nem vendo eu acreditava", desabafa testemunha
"Fiquei acuada. Mesmo que eu gritasse para ele parar, na adrenalina em que ele estava, poderia continuar e até tentar me atingir", relatou a vizinha, ainda abalada pelo ocorrido. "Por isso, não esbocei nenhuma reação, a não ser ficar chocada com o que estava vendo. Nem vendo eu acreditava", completou emocionada.
O autor do crime é Rodrigo Luiz dos Santos, de 59 anos, que foi preso em flagrante no último sábado (21), mas conseguiu liberdade após pagar fiança de R$ 20 mil. Durante a prisão, a Polícia Militar apreendeu um impressionante arsenal pertencente ao homem: 10 armas de fogo e mais de mil munições, confiscadas devido ao risco de ocultação de provas.
Cena começou durante sessão de cinema em casa
Segundo o relato detalhado da testemunha, tudo começou enquanto ela assistia a um filme com o marido. "Ouvi um barulho e achei que pudesse ser uma bomba. Na hora, não percebi que era um tiro. Mas, imediatamente, o cachorro começou a chorar", descreveu.
Ao se aproximar da janela, a mulher notou que o vizinho estava com algo nas mãos, mas não identificou imediatamente como uma arma. "Foi quando meu marido chegou e percebeu que era uma arma, porque começou a sair sangue do cachorro. Peguei o celular e pedi para que ele gravasse", explicou sobre a decisão de documentar o crime.
Família do suspeito não interveio durante 14 disparos
A testemunha afirmou que familiares de Rodrigo Santos estavam presentes durante todo o ocorrido, mas não tomaram nenhuma atitude para impedir a violência. "Não vi se os filhos falaram algo com o pai, mas não fizeram nada para impedir os 14 disparos contra o animal", relatou com indignação.
Após a execução do cachorro, a vizinha observou que os familiares começaram a olhar para as janelas do prédio, como se tentassem identificar testemunhas. "Nesse momento, me esquivei", contou sobre sua reação imediata de se proteger.
Suspeita de embriaguez e consumo de medicamentos
De acordo com informações repassadas à polícia, o filho do suspeito, de 20 anos, afirmou que o pai havia consumido bebida alcoólica e remédio controlado antes do incidente. A testemunha que gravou o crime ouviu essa declaração, mas questionou a alegação: "Escutei ele falando isso. Mas, se estivesse tão alterado assim, não teria acertado 12 tiros no cachorro".
O filho também foi detido brevemente por fraude processual, após ser flagrado saindo do imóvel em uma caminhonete com o corpo do animal. Ele confessou à PM que limpou o local do crime e planejava enterrar o cachorro.
Reação da comunidade e medidas judiciais
A morte do cachorro gerou intensa comoção em Pará de Minas. Moradores se reuniram em frente à delegacia onde Rodrigo Santos estava detido, protestando contra a violência animal. Enquanto isso, o processo judicial segue seu curso.
O advogado de defesa, Gismael Almendro, confirmou que seu cliente pagou a fiança e agora cumprirá medidas cautelares determinadas pela Justiça. A suspensão dos registros das 10 armas de fogo também foi decretada, complementando a apreensão já realizada pela Polícia Militar.
O delegado César Augusto Faria Freitas explicou que a investigação analisará múltiplas infrações: "O andamento investigatório vai analisar os maus-tratos contra animais, além das infrações relacionadas à posse e ao disparo de arma de fogo".
Legislação sobre maus-tratos a animais
No Brasil, maltratar animais é crime previsto na Lei nº 9.605/1998, com penas que variam de três meses a um ano de detenção, além de multa. Para cães e gatos especificamente, a Lei nº 14.064/2020 aumentou significativamente as penalidades, estabelecendo reclusão de dois a cinco anos para casos de maus-tratos com resultado morte.
Rodrigo Santos responderá não apenas por crimes contra animais, mas também por infrações ao Estatuto do Desarmamento, incluindo posse irregular de armamento e disparo de arma de fogo em área urbana. O caso continua sob investigação das autoridades mineiras.



