Ministério Público do Paraná aciona vereadora de Londrina por crimes contra animais e pede indenização milionária
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) apresentou uma ação judicial contra a vereadora Anne Ada Moraes de Souza, do Avante, na cidade de Londrina, no norte do estado. A denúncia, formalizada na segunda-feira, dia 6, pela 20ª Promotoria de Justiça de Londrina, acusa a parlamentar de cometer crimes de maus-tratos aos animais, poluição ambiental e tráfico de drogas durante sua gestão à frente da Associação Defensora dos Animais de Londrina (ADA).
Além da responsabilização criminal, o órgão ministerial solicitou que a vereadora pague uma indenização no valor de R$ 1,4 milhão, destinada a reparar os danos materiais decorrentes das condutas ilícitas. A defesa de Anne Ada Moraes foi contatada para se manifestar, mas não havia se pronunciado até o fechamento desta reportagem.
Período de gestão e afastamento da ONG
Segundo as investigações do MP-PR, os crimes teriam ocorrido no período compreendido entre 24 de janeiro de 2019 e 13 de maio de 2025, enquanto a vereadora dirigia a associação protetora dos animais. Após essa data, Anne foi afastada da entidade mediante intervenção judicial, motivada por suspeitas de maus-tratos e desvio de recursos públicos e doações recebidas.
Atualmente, a administração do local está sob responsabilidade da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina (CMTU). Em abril de 2025, a ONG já havia sido alvo de denúncia por recebimento irregular de mais de R$ 460 mil através do programa Nota Paraná, fato que foi comunicado ao Ministério Público na época.
Condições insalubres e mortes de animais
De acordo com a promotora Révia Aparecida Peixoto de Paula Luna, responsável pela ação, durante a gestão da vereadora a entidade abrigou aproximadamente mil animais, incluindo 800 cães, 200 gatos e animais de produção como porcos, ovelhas e bois. Todos eram mantidos em condições insalubres e precárias, sem acesso aos cuidados básicos necessários para garantir seu bem-estar físico e emocional.
Os maus-tratos consistiam na falta de alimentação suficiente, instalações inadequadas quanto a espaço e indicadores sanitários, resultando na morte de pelo menos seis gatos e 31 cães. A promotoria também apontou crime de poluição devido ao descarte irregular de resíduos sólidos, como 22 carcaças de cães e uma de porco, levando inclusive à prisão de Anne em 13 de dezembro de 2024 por enterro irregular de animais.
Tráfico de drogas e medidas cautelares solicitadas
Outra grave acusação envolve o crime de tráfico de drogas, com a manutenção em depósito de substâncias entorpecentes e psicotrópicas sem indicação de uso legítimo. Entre os itens apreendidos estavam 103 ampolas de morfina, seis ampolas de fenobarbital e 69 comprimidos de tramadol.
Além da indenização, o MP-PR requereu a aplicação de medidas cautelares contra a vereadora, tais como:
- Monitoração eletrônica
- Proibição da guarda de animais, com entrega imediata dos que estiverem sob seus cuidados
- Proibição de se aproximar da nova sede da ADA
Essas medidas se baseiam em indícios de que a parlamentar estaria acumulando outros animais em sua residência particular, conforme informado pelo Ministério Público. O caso segue em tramitação na Justiça, aguardando decisão judicial sobre os pedidos apresentados.



