O legado invisível de Chernobyl
Há 40 anos, em 26 de abril de 1986, o reator 4 da usina nuclear de Chernobyl explodia, espalhando radiação por toda a Europa. Mas três fenômenos atuais mostram que o desastre nunca terminou de verdade.
1. Os cães da zona de exclusão
Quando 50 mil pessoas foram evacuadas, receberam ordens de deixar seus animais de estimação para trás. "Três dias no máximo", disseram. Ninguém jamais voltou. Os descendentes desses cães ainda vivem na zona de exclusão — quase mil deles. Ao contrário do que muitos imaginam, eles não têm cinco pernas nem aparência monstruosa. São cães aparentemente normais. No entanto, uma simples amostra de sangue revela a diferença: seus genomas mudaram, especialmente em genes responsáveis pelo reparo de danos no DNA. Algo silencioso está acontecendo.
2. Javalis radioativos pela Europa
A carne de javali em toda a Europa ainda apresenta níveis de radiação acima do limite seguro. Só no ano passado, a Alemanha abateu quase 3 mil javalis radioativos. Esses animais adoram cavar em busca de trufas, que absorvem césio radioativo do solo. Mas a surpresa veio quando cientistas descobriram que grande parte dessa radiação não é de Chernobyl, mas sim de testes de armas nucleares da Guerra Fria.
3. Um fungo que come radiação
Dentro do reator destruído, um fungo negro foi encontrado crescendo nas paredes — não morrendo, mas prosperando em direção à radiação. Cientistas acreditam que ele se alimenta dela. Enviado para a Estação Espacial Internacional, o fungo cresceu ainda mais rápido e bloqueou parte da radiação de forma mensurável. Um escudo vivo, auto-replicante, nascido de um desastre. A explosão durou segundos. O experimento nunca terminou.



