Cachorro é morto a tiros em Santarém: moradores denunciam onda de maus-tratos na comunidade Piracãoera de Cima
Cachorro morto a tiros em Santarém: onda de maus-tratos na comunidade

Cachorro é morto a tiros em Santarém: moradores denunciam onda de maus-tratos na comunidade Piracãoera de Cima

Na comunidade de Piracãoera de Cima, localizada na região de várzea do Rio Amazonas, em Santarém, oeste do Pará, os moradores enfrentam dias de tensão e apreensão diante de uma sequência alarmante de casos de maus-tratos contra animais. O episódio mais recente e chocante ocorreu na noite de quarta-feira (8), quando um cachorro foi brutalmente assassinado após ser atingido por disparos de arma de fogo.

Revolta e insegurança na comunidade

De acordo com relatos dos comunitários, tiros foram ouvidos por volta das 20h, causando pânico entre os residentes. Na manhã seguinte, o animal foi encontrado morto, gerando uma onda de revolta e reforçando o sentimento de insegurança que já permeia a localidade. Os moradores afirmam, com veemência, que esta situação não é um caso isolado, mas parte de um padrão preocupante de violência.

O tutor do animal, Manuel Joelson Cardoso, expressou suas suspeitas de que os disparos estejam diretamente relacionados ao uso irregular de armas na região. “Essas pessoas utilizam armas, principalmente espingardas. Pode ser até para cometer assaltos, ameaçar. O cachorro, quando vê alguém estranho, reage, e pode ter sido por isso que atiraram nele”, relatou Joelson, destacando o clima de intimidação que assola a comunidade.

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Possíveis motivações e histórico de violência

Além da hipótese de intimidação, os moradores também levantam a possibilidade de que os ataques contra animais estejam ligados a desavenças pessoais. “Tem gente que não resolve problema com a pessoa e acaba descontando no animal, como forma de vingança”, afirmou Joelson, revelando uma triste realidade de conflitos que se estendem aos seres mais vulneráveis.

A comunidade denuncia que outros casos semelhantes já ocorreram, inclusive envolvendo animais de grande porte, como bois. Diante da frequência crescente desses episódios, os moradores clamam por uma atuação mais rigorosa e eficaz das autoridades policiais. “Isso já vem acontecendo há algum tempo. A gente pede apoio, porque não está certo. Hoje são os animais, amanhã pode ser uma pessoa”, alertou o tutor, ecoando o temor generalizado.

Orientações das autoridades e legislação

O comandante da 1ª Companhia de Policiamento Ambiental, major Luiz Vanderlei, orienta que, em casos de flagrante, a população deve acionar imediatamente a polícia pelo 190 ou procurar um posto policial mais próximo. Já situações recorrentes ou que necessitem de investigação mais aprofundada devem ser levadas à Polícia Civil.

A recomendação é reunir o máximo de provas possível, como fotos, vídeos, identificação de suspeitos e testemunhas, para auxiliar nas investigações e garantir a responsabilização dos culpados.

De acordo com o Policiamento Ambiental, maus-tratos não se resumem apenas a agressões físicas diretas. A prática também inclui negligência, como falta de alimentação e água adequadas, exposição excessiva ao sol, além de manter o animal em condições inadequadas de higiene e abrigo. Nos casos envolvendo animais domésticos feridos, o procedimento padrão é encaminhá-los para atendimento veterinário urgente, com apoio do Centro de Zoonoses, antes da formalização da ocorrência policial.

A legislação brasileira, desde 2020, prevê punições mais rigorosas para crimes de maus-tratos contra cães e gatos. A pena passou de detenção para reclusão, podendo chegar a até cinco anos de prisão, além de multa e proibição definitiva da guarda do animal.

Dados alarmantes e casos recentes na região

Dados da Secretaria de Segurança Pública do Pará apontam um crescimento exponencial desse tipo de crime. Em 2020, foram registradas cerca de 278 ocorrências. Já no ano passado, o número saltou para aproximadamente 1.700 casos em todo o estado, indicando uma tendência preocupante. Somente entre janeiro e fevereiro deste ano, 288 ocorrências foram registradas, com nove pessoas presas em flagrante.

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Situações de violência contra animais também foram registradas em municípios vizinhos, reforçando a necessidade de atenção regional. Em Monte Alegre, um cachorro teve duas patas quebradas após ser atropelado, e o motorista fugiu sem prestar socorro, demonstrando total desrespeito pela vida. Já em Óbidos, um homem foi flagrado empurrando um cão de uma passarela, causando fratura grave no animal; felizmente, ele foi identificado e arcou com os custos do tratamento, mas o caso serve como alerta.

Diante da repetição constante desses casos, as autoridades reforçam que a denúncia é fundamental para combater esse tipo de crime e responsabilizar os envolvidos. A população deve estar vigilante e colaborar com as investigações para proteger os animais e garantir a segurança de todos.