Cachorra resgatada por maus-tratos foge de órgão público em Ribeirão Preto
Cachorra resgatada por maus-tratos foge de órgão público em SP

Cachorra resgatada por maus-tratos foge de órgão público em Ribeirão Preto

A família da cachorra Lilica está em busca de respostas após o animal, resgatado por denúncia de maus-tratos, fugir da Divisão de Bem-Estar Animal (DBEA) da Prefeitura de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. O caso, que envolve críticas à administração pública e um tutor que nega as acusações, gerou comoção e levantou questões sobre a responsabilidade do poder municipal.

Resgate e fuga: uma sequência de falhas

Nesta quinta-feira (26), policiais civis e agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) resgataram Lilica e outra cachorra de um condomínio na zona Norte da cidade, após um vídeo mostrar o tutor, Thallison Henrique Soares da Silva, dando chutes e arremessando os animais contra o chão. As cães foram encaminhadas à DBEA para atendimento veterinário, mas horas depois, Lilica escapou do local. A prefeitura não detalhou como ocorreu a fuga, deixando a família em desespero.

Lorraine, integrante da família, questiona a atuação do órgão: "Eles tiraram as cachorras da gente para, no final, a cachorra fugir. Ninguém sabe onde ela está? Eles não falam o que está acontecendo. Quem ligou foi um repórter para falar, nem foi o Bem-Estar Animal para dar a notícia. E se a cachorra for atropelada, morrer, o que vocês vão fazer?"

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Tutor nega maus-tratos e alega briga entre cães

Thallison, que prestou depoimento na delegacia e foi liberado, defendeu-se afirmando que agiu para separar uma briga entre as duas cachorras. "Foi um mal-entendido. Na verdade, elas começaram a brigar, daí fui tentar separar, só que elas grudam uma na outra. Quando pego a pretinha, ela mordeu minha mão, foi na hora em que solto ela no chão", explicou. Ele acrescentou que a polícia não encontrou sinais de maus-tratos em seu apartamento e que os animais são bem cuidados, com veterinário e tosa regular.

No entanto, o delegado seccional Sebastião Piccinato contestou essa versão, destacando que as imagens mostram agressão desnecessária. "A gente vê que tem um excesso, que embora os cães estivessem sido separados, a gente vê um ataque canino, posteriormente há uma agressão desnecessária. Chutes, arremesso contra o solo, isso é uma conduta típica de quem maltrata animal", afirmou.

Busca intensiva e falta de comunicação oficial

Após a fuga, Thallison, sua namorada e seu irmão se juntaram a equipes da DBEA e da GCM para procurar Lilica no bairro Adelino Simioni, utilizando até um drone. Até o momento, o animal não foi localizado. "Eu não consigo acreditar nisso, Deus me livre ela ser atropelada. Não sei nem o que eu faço", desabafou Thallison.

A família alega que não recebeu qualquer comunicação oficial da prefeitura sobre o desaparecimento, tendo sido informada apenas por um repórter. Essa falta de transparência foi criticada por especialistas.

Responsabilidade pública em questão

Fabíola Coelho, presidente da Comissão de Direito Animal da OAB de Ribeirão Preto, classificou a fuga como gravíssima e enfatizou a responsabilidade da prefeitura. "Ela estava sob a responsabilidade, sob a tutela do Departamento de Bem Estar Animal, então qualquer coisa que aconteça com esse animal a partir do momento que está ali sob os cuidados deles que tem que responder por esse animal", declarou.

O irmão de Thallison, Jefferson Soares da Silva, tentou minimizar o incidente, alegando que o vídeo foi tirado de contexto e que a família tem histórico de cuidados com animais. "Foi um fato isolado. Desculpe quem se ofendeu com esse vídeo, mas ele está totalmente fora de contexto. A gente fica chateado e quem mais quer esclarecer essa história é a gente", disse.

Enquanto isso, a busca por Lilica continua, com a comunidade local acompanhando atentamente o desenrolar deste caso que mistura drama familiar, falhas administrativas e a luta pelo bem-estar animal.

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