A 14ª edição do Fliaraxá, festival literário que acontece em Araxá (MG), reúne autores do Brasil e do exterior entre os dias 14 e 17 de maio. A programação propõe diálogos sobre literatura, cultura e sociedade, com o tema central “Meu Lugar no Mundo”. O festival promove encontros que aproximam diferentes trajetórias e perspectivas, abordando questões como identidade, memória, território e pertencimento.
Presença internacional
Entre os convidados internacionais, destaca-se o escritor angolano José Eduardo Agualusa, autor de obras traduzidas para diversos idiomas. Reconhecido por narrativas que articulam história, memória e identidade no contexto dos países de língua portuguesa, Agualusa escreveu livros como O Vendedor de Passados, Teoria Geral do Esquecimento e A Sociedade dos Sonhadores Involuntários. Em suas obras, ele combina ficção e reflexão política para abordar temas como colonialismo, construção da memória coletiva e transformações sociais.
Outro nome presente na programação é a escritora e jornalista Zukiswa Wanner, nascida na Zâmbia e criada na África do Sul. Sua produção literária aborda identidade africana, memória histórica e experiências em contextos pós-coloniais. Além de autora, Wanner desenvolve projetos de circulação da literatura africana contemporânea, contribuindo para ampliar o diálogo entre diferentes contextos culturais.
Autores brasileiros
A programação também reúne escritores e pesquisadores brasileiros que participam de debates sobre literatura, sociedade e produção cultural. Os encontros abordam temas como memória coletiva, desigualdades sociais, experiências urbanas e processos criativos na literatura contemporânea. Ao aproximar autores e leitores, o festival propõe espaços de troca que ampliam o acesso à produção literária e incentivam o diálogo sobre diferentes realidades sociais e culturais.
Produção regional
O Fliaraxá valoriza a produção literária de Minas Gerais e da cidade de Araxá. Entre os convidados estão a poeta Líria Porto, com trajetória reconhecida na poesia contemporânea, e a escritora e roteirista Lisa Alves, vencedora do Prêmio Nacional CEPE de Literatura. Participa ainda a pesquisadora Leni Nobre de Oliveira, que desenvolve estudos sobre literatura comparada e produção literária de mulheres negras. A presença desses autores reforça o diálogo entre produção local, nacional e internacional, ampliando o intercâmbio cultural no festival.
Cultura afro-brasileira em debate
Parte da programação é dedicada a discussões sobre cultura afro-brasileira e africana contemporânea. Os encontros abordam temas como identidade, ancestralidade e experiências sociais ligadas à diáspora africana. Entre os convidados está o rapper Djonga, cuja obra trata de questões como identidade negra, racismo estrutural e experiências periféricas, além da articuladora cultural Marisa Rufino, que atua em projetos voltados à valorização da cultura afro-brasileira. Esses diálogos se ampliam com a presença de autores africanos, promovendo conexões entre diferentes territórios e experiências culturais.



