Urbanização brasileira avança 2,5 vezes em áreas de risco, aponta pesquisa do MapBiomas
Urbanização cresce 2,5 vezes em áreas de risco no Brasil

Expansão urbana brasileira se concentra em zonas vulneráveis, aumentando riscos ambientais

Uma pesquisa realizada pelo MapBiomas, divulgada nesta quarta-feira, 4 de março de 2026, revela um cenário alarmante: a urbanização no Brasil avançou de forma mais acelerada justamente sobre áreas ambientalmente vulneráveis, ampliando significativamente a exposição da população a desastres naturais. O levantamento abrange o período de 1985 a 2024, mostrando que a falta de planejamento e fiscalização tem direcionado o crescimento das cidades para locais de alto risco.

Crescimento desproporcional em áreas de declividade e proximidade de rios

Os dados indicam que a área urbana do país cresceu 2,5 vezes nas últimas quatro décadas, passando de 1,8 milhão para 4,5 milhões de hectares, com uma média anual de 70 mil hectares. No entanto, esse avanço não ocorreu de maneira uniforme. A ocupação em terrenos de alta declividade, que são mais suscetíveis a deslizamentos, triplicou, saltando de 14 mil para 43,4 mil hectares. Desse total, 40,5 mil hectares estão localizados na Mata Atlântica, um bioma já bastante impactado.

Além disso, as áreas urbanizadas situadas até três metros acima da drenagem mais próxima, um indicador claro de vulnerabilidade a enchentes, aumentaram impressionantes 145%. Elas passaram de 493 mil para 1,2 milhão de hectares, evidenciando uma tendência perigosa de construção próxima a cursos d’água.

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Favelas expandem-se em ritmo ainda mais acelerado

O estudo destaca que o crescimento das favelas superou a média nacional de urbanização. Essas comunidades cresceram 2,75 vezes em quatro décadas, com uma expansão de 150% em encostas e de mais de 200% em áreas próximas a rios e córregos. Esse padrão de ocupação irregular agrava os riscos para milhares de famílias, que ficam expostas a deslizamentos e inundações com maior frequência.

Outro dado preocupante é que 25% da expansão urbana sobre áreas naturais, equivalente a 670 mil hectares, ocorreu em zonas classificadas como de segurança hídrica crítica. Isso afeta 1.325 municípios brasileiros, revelando um descompasso estrutural entre o crescimento das cidades e a disponibilidade de água, um recurso essencial para a população.

Minas Gerais e Juiz de Fora em destaque no levantamento

Minas Gerais, palco de recentes tragédias causadas por enchentes e desmoronamentos, ocupa um lugar de destaque nesse processo. O estado é o território com maior área urbanizada em alta declividade no país, onde a ocupação nessas áreas triplicou desde 1985, alcançando 14,5 mil hectares em 2024.

Um recorte mais detalhado sobre Juiz de Fora, cidade severamente afetada pelas chuvas de fevereiro, mostra que ela é a terceira cidade brasileira com maior urbanização em encostas acima de 30% de inclinação. Fica atrás apenas do Rio de Janeiro e de São Paulo, com um crescimento de 2,3 vezes no período analisado. Proporcionalmente, Rio Grande do Sul e Santa Catarina registraram as maiores altas, com aumentos de sete e seis vezes, respectivamente.

Padrão de espraiamento urbano e eventos extremos

No total, 60% de toda a expansão urbana brasileira ocorreu nos últimos 40 anos, em um ritmo mais que o dobro do crescimento populacional. Isso consolida um padrão de espraiamento que amplia a exposição a riscos hidrológicos e geotécnicos, justamente em um contexto onde eventos climáticos extremos se tornam cada vez mais frequentes e intensos.

O relatório do MapBiomas serve como um alerta urgente para a necessidade de políticas públicas mais eficazes de planejamento urbano e fiscalização, a fim de mitigar os riscos e proteger vidas em meio ao acelerado crescimento das cidades brasileiras.

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