Rio Grande do Norte inaugura primeira lavanderia coletiva agroecológica da América Latina
O Rio Grande do Norte deu um passo histórico na promoção da sustentabilidade e do empoderamento feminino no campo. Nesta segunda-feira (13), foi inaugurada no assentamento Mulungunzinho, zona rural de Mossoró, a primeira lavanderia coletiva agroecológica da América Latina. Este equipamento inovador representa uma conquista significativa para as famílias da comunidade, especialmente para as mulheres que conciliam os afazeres domésticos com a produção agropecuária.
Infraestrutura sustentável e inclusiva
A unidade, batizada de Lavanderia Nalu Faria em homenagem à militante feminista mineira, reúne uma série de tecnologias sociais e práticas sustentáveis. O espaço conta com máquinas de lavar roupas de uso coletivo, sistema de energia solar e estação de tratamento e reuso de água. A água utilizada nas lavagens será reaproveitada na produção local, fechando um ciclo virtuoso de sustentabilidade.
Para atender às necessidades das famílias, a lavanderia ainda dispõe de uma brinquedoteca, onde as crianças podem brincar enquanto as mães realizam as tarefas de lavagem. Esta iniciativa demonstra uma compreensão profunda das dinâmicas familiares no meio rural e busca facilitar a vida das mulheres trabalhadoras.
Autogestão feminina e impacto comunitário
A gestão da lavanderia ficará sob responsabilidade das próprias mulheres da comunidade, seguindo princípios de autogestão e empoderamento. Ao todo, 162 mulheres participarão diretamente da administração do equipamento, com impacto estimado em aproximadamente 400 famílias da região.
Neneide Lima, presidente da Rede Xique Xique de Comercialização Solidária, representou o grupo de mulheres durante a inauguração e destacou a importância desta conquista: "Essa lavanderia é uma conquista construída pelas mulheres. Ela é da comunidade. O trabalho do cuidado precisa ser compartilhado com a família e com o Estado, e esse equipamento representa isso para nós".
Projeto amplo e articulação institucional
A iniciativa integra o projeto "Lavanderias Coletivas e Agroecológicas: mulheres camponesas construindo tecnologias sociais e práticas sustentáveis". No Rio Grande do Norte, serão implantadas quatro unidades do projeto: além de Mossoró, as cidades de São Miguel do Gostoso, Ipanguaçu e Riachuelo também receberão estruturas semelhantes.
O projeto é resultado de uma ampla articulação entre diversas instituições, incluindo os ministérios das Mulheres e do Desenvolvimento Agrário, a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), a Fundação Guimarães Duque e a Marcha Mundial das Mulheres, com apoio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural e da Agricultura Familiar (Sedraf).
Impacto na vida das mulheres rurais
Maria Elisangela Ribeiro de Oliveira, moradora de 46 anos da comunidade, relatou como a lavanderia coletiva transformará a rotina local: "A gente passa a ter mais tempo para cuidar da produção e da família. E ainda aproveita a água para plantar. É uma mudança grande para nós".
Esta iniciativa pioneira não apenas oferece um serviço essencial para a comunidade rural, mas também estabelece um modelo replicável de desenvolvimento sustentável, empoderamento feminino e inovação social que poderá inspirar outras regiões do Brasil e da América Latina.



