Roraima enfrenta aumento alarmante de focos de calor em fevereiro de 2026
O estado de Roraima registrou um aumento expressivo de cinco vezes no número de focos de calor durante o mês de fevereiro de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Segundo dados atualizados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), até a terça-feira (24) foram contabilizados 422 focos em todo o território estadual.
Esse total representa um acréscimo de 339 focos em relação a fevereiro de 2025, quando houve apenas 83 registros. O número atual é o mais elevado para o mês desde fevereiro de 2024, período em que Roraima enfrentou uma seca severa e somou impressionantes 2.057 focos de calor.
Liderança nacional e contexto climático
De acordo com o Inpe, Roraima ocupa a primeira posição no ranking de estados com mais focos de calor registrados em fevereiro. Na sequência aparecem a Bahia, com 247 ocorrências, e o Pará, com 205 focos. Os focos de calor são definidos como zonas onde há ressecamento e elevação significativa de temperatura, condições que podem facilmente evoluir para incêndios florestais de grande proporção.
Atualmente, Roraima atravessa o período de seca, que deve persistir até o mês de abril, agravando ainda mais a situação de vulnerabilidade ambiental. No acumulado do ano de 2026, entretanto, o panorama muda um pouco: Roraima aparece na terceira posição nacional, com 641 focos registrados desde 1º de janeiro. O Pará lidera esse ranking anual com 1.249 focos, seguido pelo Maranhão, que contabiliza 1.084 ocorrências.
Municípios mais afetados e medidas emergenciais
Dos dez municípios brasileiros com maior número de focos de calor desde o início de fevereiro, todos estão localizados em Roraima. Caracaraí, no Sul do estado, lidera a lista com 138 focos. Em seguida, aparecem Rorainópolis, com 49 registros, e Bonfim, com 42 focos de calor.
Diante do crescimento preocupante nos índices, a Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Roraima (Femarh) tomou uma medida drástica. Nesta quarta-feira (25), a instituição suspendeu por 15 dias o ciclo do Calendário de Queima. Durante esse período, ficam suspensas tanto as autorizações emitidas desde 6 de outubro de 2025 quanto a emissão de novas autorizações para queimadas controladas.
Produtores rurais que realizarem queimadas durante a suspensão poderão ser multados em valores que chegam a R$ 10 mil, além de enfrentarem processos judiciais. A decisão visa conter a propagação de incêndios e proteger o frágil ecossistema regional.
Impactos urbanos e visibilidade reduzida
Os efeitos dos focos de calor já são sentidos na capital Boa Vista. Na última sexta-feira (20), uma densa nuvem de fumaça se espalhou por ruas de diversos bairros da cidade. Imagens registradas por um piloto de drone na tarde de segunda-feira (23) mostram a fumaça tomando conta de pontos centrais como o Centro da capital e o Parque do Rio Branco.
As gravações, que circularam amplamente nas redes sociais, chamaram a atenção pela baixa visibilidade em várias áreas urbanas, levantando preocupações sobre a qualidade do ar e a saúde pública. A situação ilustra como os incêndios florestais têm impactos diretos e imediatos na vida cotidiana da população.
Especialistas alertam que a combinação de seca prolongada, temperaturas elevadas e práticas inadequadas de manejo do fogo cria um cenário propício para tragédias ambientais. A vigilância constante e a adoção de políticas preventivas são consideradas essenciais para mitigar os riscos nos próximos meses.



