Parque Carlos Botelho: ecoturismo e preservação no interior de SP
Parque Carlos Botelho é referência em ecoturismo no interior de SP

O contato com a natureza e a busca por momentos longe das telas têm impulsionado cada vez mais pessoas a visitarem áreas de conservação ambiental. Nesse contexto, os parques florestais despontam como destinos preferidos. No Dia Nacional do Turismo, celebrado nesta sexta-feira (8), o g1 destaca as principais atrações do Parque Estadual Carlos Botelho, situado entre os municípios de São Miguel Arcanjo (SP), Sete Barras (SP) e Capão Bonito (SP). A unidade integra um dos maiores contínuos de Mata Atlântica preservada do Brasil.

Estrutura e visitação

Com 38 hectares de extensão, o parque possui dois núcleos – São Miguel Arcanjo e Sete Barras – e 14 trilhas, sendo sete autoguiadas. As opções incluem observação de aves, visitas a cachoeiras e cursos d'água. Mensalmente, cerca de 600 visitantes exploram a unidade, número que não inclui os turistas que passam pela Estrada-Parque, que registra aproximadamente 45 mil veículos por mês.

Passeios noturnos inovadores

Desde o fim do ano passado, o parque oferece visitas noturnas em carrinhos elétricos, proporcionando uma experiência única de contato com a fauna e a flora locais. Nathalia Zandomenegui, gestora da Fundação Florestal, explica que a Estrada-Parque, que corta o parque no sentido norte-sul, é fechada das 20h às 6h, horário em que a fauna fica mais exposta. “O monitor ambiental leva os visitantes para um passeio noturno na Estrada-Parque após o fechamento. Assim, o visitante tem contato com a floresta à noite, que é diferente das trilhas diurnas, e também com o céu estrelado”, detalha.

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A atividade foi planejada para minimizar impactos ambientais. Os veículos elétricos são adaptados, não emitem poluentes, têm baixo ruído e iluminação reduzida. Cada carrinho comporta seis pessoas, e a cada cinco visitantes é obrigatória a presença de um monitor. Atualmente, 40 monitores cadastrados acompanham os visitantes, compartilhando informações sobre a Estrada-Parque, o bioma da Mata Atlântica e a importância da preservação.

Ecoturismo como ferramenta de conservação

Para Nathalia, o ecoturismo é essencial para a conservação ambiental, pois aproxima a população da natureza e desperta a consciência preservacionista. “Nosso maior ganho é ter aliados que pensem na preservação e contribuam com ela. Conhecer esses espaços costuma despertar nos visitantes essa consciência”, avalia.

Apesar do crescimento, o ecoturismo impõe desafios e exige regras para garantir a preservação. O Parque Carlos Botelho segue um plano de manejo de 2008, que define zonas para turismo e áreas de preservação total. “Todo o trabalho é alinhado às portarias da Fundação Florestal e às normas do ICMBio”, afirma a gestora.

O papel dos monitores ambientais

O biólogo Daniel do Vale Bechara, guia de turismo há 19 anos e monitor no parque há cinco, destaca o potencial ecoturístico da região de Itapetininga. “A região promete muito. Esse modelo de turismo cresce exponencialmente. Nossa floresta percorre três estados: São Paulo, Santa Catarina e Paraná. O trecho mais biodiverso é o corredor ecológico da Serra de Paranapiacaba, que divide o Vale do Paranapanema do Vale do Ribeira”, explica.

Daniel ressalta que o monitor ambiental contextualiza o visitante sobre o ambiente e orienta sobre riscos, como serpentes, aranhas e taturanas. “O ecoturista já tem essa consciência”, acrescenta. Ele afirma que as atividades são acessíveis a diferentes públicos, com adaptações conforme o perfil. “No núcleo Sete Barras, a trilha do Pocinho Azul tem apenas 15 minutos de caminhada, adequada para crianças, idosos e pessoas com deficiência.”

Atividades e biodiversidade

O parque oferece atividades para todos os gostos: boia cross, observação de aves, primatas e fungos bioluminescentes, além de trilhas e nascentes. A unidade abriga espécies ameaçadas de extinção. Logo no início da Estrada-Parque, borboletas coloridas recebem os visitantes. “As borboletas de áreas conservadas só existem aqui. Temos também um turismo forte de observação de aves”, diz Nathalia.

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Entre as aves, destacam-se a jacutinga, o sabiá-cica, o tucano-de-bico-verde e a maria-leca-do-sudeste. Serpentes são comuns, especialmente no núcleo Sete Barras. O grande símbolo do parque é o muriqui-do-sul, maior primata das Américas. Um grupo da espécie é monitorado há mais de 30 anos. “Temos turismo de observação de primatas com esse grupo, que é habituado à presença humana. Os monitores acompanham o grupo um dia antes e, no dia seguinte, levam os visitantes para vê-los acordar. O visitante pode ficar com eles por três horas”, detalha a gestora.

Nas trilhas autoguiadas, como a Trilha da Canela, é possível encontrar muriquis, bugios e macacos-prego. “A Trilha da Canela tem dois quilômetros e baixa dificuldade. As trilhas autoguiadas são nível 1”, afirma Nathalia. O parque também possui duas trilhas suspensas acessíveis: a Trilha da Canela (2 km) e a Trilha das Bromélias (500 m), seguras para diversos públicos.

Recorde de visitação em áreas protegidas

Segundo o Ministério do Turismo, a relação entre turismo e Unidades de Conservação é estratégica, impulsionando o turismo sustentável, a educação ambiental e a geração de renda. Em 2024, o Brasil bateu recorde de visitação em áreas protegidas, com 25,5 milhões de visitantes. Os parques nacionais lideraram, com 12,5 milhões de turistas em 61 unidades monitoradas. Na sequência, as Áreas de Proteção Ambiental (APAs) receberam 11,2 milhões, e as reservas extrativistas, 1,3 milhão.

O Parque Estadual Carlos Botelho funciona de terça a domingo, das 8h às 17h. Interessados podem acessar o site para o Núcleo São Miguel Arcanjo ou o link para o Núcleo Sete Barras.