Guarujá concentra maior volume de lixo retirado dos manguezais da Baixada Santista
A primeira ação de limpeza de manguezais deste ano no Guarujá, realizada pelo Programa Mar Sem Lixo do governo de São Paulo, retirou impressionantes 7 toneladas de lixo em apenas 2 quilômetros de área. A iniciativa, que aconteceu durante o período do defeso do camarão, reuniu 70 pescadores e serviu como alerta sobre o descarte irregular que transforma esses ecossistemas vitais em verdadeiras lixeiras.
Manguezais: berçários ameaçados pelo lixo urbano
Os manguezais são áreas de transição entre terra e mar, fundamentais para a vida marinha e o equilíbrio climático. Funcionam como berçários naturais da biodiversidade, sustentando cadeias alimentares que abastecem tanto a pesca artesanal quanto a comercial. Quando acumulam plásticos, redes abandonadas e outros rejeitos urbanos, perdem capacidade de regeneração, impactam a fauna e deixam de prestar serviços ambientais essenciais.
Programa transforma pescadores em protagonistas da conservação
Criado em 2022 e coordenado pela Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo, o Programa de Pagamento por Serviços Ambientais Mar Sem Lixo já retirou 118 toneladas de resíduos do ambiente marinho em seis municípios do litoral paulista. Desse total, 80 toneladas vieram especificamente de áreas de mangue, representando 68% do volume geral.
O modelo combina conservação ambiental e geração de renda de forma inovadora:
- Pescadores cadastrados recolhem resíduos no mar e nos manguezais
- Recebem pagamento pelo serviço ambiental prestado
- Mais de 300 pescadores já participam da iniciativa
- Programa já destinou aproximadamente R$ 971 mil em pagamentos
Guarujá lidera ranking com números expressivos
O município do Guarujá se destaca no programa, com 62 toneladas de lixo recolhidas de seus manguezais, o que representa 77,5% de todo o material retirado desses ecossistemas pelo Mar Sem Lixo. Esses números evidenciam tanto a gravidade do problema na região quanto a eficácia da ação coordenada.
Mudança de paradigma na política ambiental
"Por meio deste programa estamos remunerando pescadores para retirarem o lixo do mar, gerando impacto positivo tanto social quanto ambiental", afirma Natália Resende, secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo. A estratégia representa uma mudança significativa de paradigma, transformando comunidades tradicionais em agentes ativos da conservação.
Ao mesmo tempo em que remove resíduos dos ecossistemas costeiros, a política pública evidencia um problema estrutural persistente: a cultura do descarte inadequado. A iniciativa aponta para uma resposta baseada em corresponsabilidade entre poder público, trabalhadores do mar e consumidores, criando um círculo virtuoso de proteção ambiental e desenvolvimento social.
A ação no Guarujá marca o início das atividades de 2026 do programa, que continuará durante todo o período do defeso do camarão, até 30 de abril. A expectativa é que mais municípios da Baixada Santista se engajem na iniciativa, ampliando a proteção desses ecossistemas tão cruciais para o litoral paulista.



