Uma nova exposição no Museu Biológico do Instituto Butantan, em São Paulo, convida o público a redescobrir a Caatinga, um bioma frequentemente reduzido a imagens de seca e aridez. Intitulada "Caatinga: Bioma do Brasil", a mostra reúne imagens, sons, vídeos, mapas, artefatos arqueológicos e animais vivos para destacar a diversidade de espécies e paisagens do semiárido nordestino. O objetivo é desconstruir estereótipos e mostrar a riqueza ambiental e cultural desse que é o único bioma exclusivamente brasileiro.
Experiência sensorial e acessível
A exposição foi projetada para ser acessível a todos, utilizando recursos visuais e sonoros que cativam desde crianças até idosos, independentemente do nível de escolaridade. No percurso, os visitantes encontram informações sobre fauna, flora, arqueologia e a cultura local. A ideia é aproximar o público de um bioma que ocupa cerca de 10% do território nacional, mas que ainda recebe pouca atenção em comparação com a Amazônia e a Mata Atlântica.
Combate a estereótipos e conservação
A iniciativa surgiu da necessidade de chamar a atenção para as chamadas "paisagens abertas", áreas sem cobertura florestal contínua que são frequentemente negligenciadas nos debates ambientais. Considerada uma das regiões semiáridas mais biodiversas do mundo, a Caatinga abriga espécies únicas adaptadas ao calor e à seca, mas ainda pouco conhecidas. A pesquisadora Thaís Barreto Guedes da Costa, organizadora da exposição, destaca: "É comum as pessoas conhecerem animais da fauna africana, mas não reconhecerem espécies exclusivas da Caatinga. A motivação é aproximar o povo dessa riqueza, tanto da fauna e flora quanto da história das comunidades locais. Só preservamos o que conhecemos!"
Um dos focos centrais é o combate a estereótipos históricos. "Precisamos desconstruir a ideia de que a Caatinga é feia, pobre ou ligada apenas ao sofrimento", afirma Thaís. A mostra revela como o bioma é diverso, colorido e bonito, ajudando a quebrar preconceitos que dificultam sua conservação.
Ameaças e risco de desertificação
A exposição também alerta para as ameaças que o bioma enfrenta. Segundo o MapBiomas, mais da metade da vegetação natural da Caatinga já foi alterada pela ação humana, com queimadas, desmatamento, expansão urbana e perda de habitat. O risco de desertificação é grave, pois a retirada da vegetação pode desencadear processos irreversíveis de degradação. A pesquisadora ressalta que a destruição avança mais rápido do que a ciência consegue catalogar novas espécies.
A mostra integra ações do Plano de Ação Nacional para a conservação da herpetofauna do Nordeste, coordenado pelo ICMBio, e busca aproximar ciência e sociedade na proteção do bioma. A exposição foi desenvolvida em colaboração entre o Museu Biológico do Butantan, o Guedes Lab da Unesp e o ICMBio, com apoio do Laboratório Especial de Coleções Zoológicas do Instituto Butantan e do Museu de Zoologia da USP.
Serviço
Caatinga: bioma do Brasil
Data: até 4 de outubro de 2026
Horário: terça a domingo, das 9h às 16h45
Local: Museu Biológico do Instituto Butantan, Parque da Ciência Butantan - Av. Vital Brasil, 1500, Butantã, São Paulo
Contato: (11) 2627-9463



