Moradores denunciam despejo de dejetos hospitalares em área quilombola no Maranhão
Dejetos hospitalares despejados em área quilombola no MA

Denúncia grave: dejetos hospitalares despejados em território quilombola no Maranhão

Moradores da Comunidade Quilombola Outeiro, localizada na zona rural de Monção, no interior do Maranhão, estão em alerta máximo após denunciarem uma situação ambiental e sanitária extremamente preocupante. Segundo relatos consistentes da comunidade, dejetos coletados no Hospital Regional da cidade estariam sendo despejados, sem qualquer tipo de tratamento, em uma grande escavação dentro do território quilombola.

Flagrante e manifestação da comunidade

Após flagrarem a atividade irregular, os moradores decidiram tomar uma atitude. Eles realizaram uma manifestação pacífica e bloquearam a estrada que dá acesso à área de pasto onde o descarte ilegal vem ocorrendo. No local, os quilombolas encontraram uma cena alarmante: uma espécie de açude formado por líquido de coloração esverdeada, resultado direto do despejo.

Imagens registradas pela própria comunidade mostram caminhões do tipo limpa-fossa despejando resíduos diretamente no solo, em uma área aberta, cercada por vegetação e, de forma ainda mais preocupante, próxima a terrenos utilizados para agricultura familiar. A escavação é de grande porte e já formou uma lagoa com água contaminada.

Riscos à saúde e ao meio ambiente

Os moradores, que somam aproximadamente 150 famílias nesta comunidade localizada a cerca de seis quilômetros da sede de Monção, temem profundamente pela contaminação do solo e dos recursos hídricos. Produtores rurais da região expressaram seu temor de que os dejetos hospitalares, lançados sem impermeabilização adequada, possam infiltrar-se no lençol freático, afetando não apenas a saúde da população local, mas também a produção agrícola que sustenta muitas famílias.

Lideranças comunitárias afirmam que os caminhões pertencem a uma empresa contratada especificamente para coletar os resíduos do Hospital Regional de Monção. A Associação dos Produtores Rurais Remanescentes do Quilombo de Outeiro já está se organizando para formalizar as denúncias junto às autoridades competentes.

Posicionamento das autoridades públicas

Diante da gravidade das acusações, as autoridades começaram a se manifestar. A Prefeitura de Monção declarou, em nota enviada à imprensa, que não estava ciente do problema. No entanto, a gestão municipal informou que a empresa responsável pela coleta dos dejetos do hospital já havia sido multada anteriormente por despejo em local inapropriado. A prefeitura afirmou que uma equipe da Secretaria Municipal de Meio Ambiente iria ao local para averiguar a denúncia.

Por sua vez, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) emitiu uma nota oficial informando que a empresa responsável pelo serviço já foi notificada. A SES determinou a correção imediata do procedimento, exigindo a adoção de medidas para garantir que o descarte passe a ocorrer em local apropriado e dentro de todas as exigências legais. A secretaria reforçou que não compactua com práticas irregulares e que acompanhará o caso.

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (SEMA) também se pronunciou, anunciando que realizará uma fiscalização específica para apurar o manejo e a destinação dos resíduos de serviços de saúde relacionados ao caso. A SEMA destacou que a ação se baseará na Política Nacional de Resíduos Sólidos e em resoluções do CONAMA e da ANVISA, podendo aplicar sanções administrativas caso sejam constatadas irregularidades.

Esta situação expõe uma grave falha na gestão de resíduos de saúde e coloca em risco uma comunidade tradicional, exigindo ação rápida e eficaz das autoridades para proteger o meio ambiente e a saúde pública na região de Monção.