A trajetória do Parque Nacional do Iguaçu começou muito antes de sua oficialização, estando profundamente ligada a figuras emblemáticas da história brasileira, como André Rebouças e Alberto Santos Dumont. Ambos, com visões consideradas avançadas para suas épocas, contribuíram para chamar a atenção sobre a relevância de preservar as belezas naturais da região. Em uma entrevista, o historiador Micael Alvino da Silva resgata esse contexto histórico e explica como diferentes iniciativas ajudaram a consolidar um dos principais patrimônios naturais do Brasil.
O pioneirismo de André Rebouças
André Rebouças é reconhecido como o primeiro brasileiro a conceber a criação de um parque nacional no país. Engenheiro, abolicionista e pensador à frente de seu tempo, ele percorreu o Paraná entre as décadas de 1860 e 1870, desenvolvendo uma visão inédita para a região. Conforme o historiador, em 1876 Rebouças publicou um pequeno livro no qual sugeria a criação de um parque nacional no Paraná, inspirado no modelo do Parque Nacional de Yellowstone, criado nos Estados Unidos quatro anos antes. A proposta abrangia uma vasta área entre Sete Quedas, em Guaíra, até as Cataratas do Iguaçu.
Mais do que defender a preservação da natureza, Rebouças também associava essa ideia ao desenvolvimento regional por meio do turismo. “A proposta dele já combinava preservação ambiental com visitação pública, prevendo inclusive a chegada por estrada de ferro. Era uma visão muito moderna para aquele período”, explica Micael. De acordo com o historiador, a ideia de Rebouças abriu caminho para que, anos depois, surgisse um primeiro desenho formal de parque nacional na região das Cataratas, elaborado em 1898 por Edmundo de Barros.
A contribuição de Santos Dumont
Décadas depois, outro nome importante ajudaria a fortalecer esse movimento de preservação: Alberto Santos Dumont. A passagem do inventor pelas Cataratas do Iguaçu ocorreu durante uma viagem pela América do Sul. Na ocasião, ele estava no Chile, seguiu para Buenos Aires e decidiu visitar as quedas pelo lado argentino, já que esse era o acesso mais conhecido na época.
Ao saber da presença de Santos Dumont na região, lideranças locais o convenceram a conhecer também o lado brasileiro. Entre elas estavam Jorge Schimmelpfeng e Frederico Engel, proprietário do Hotel Brasil, onde o inventor ficou hospedado antes de seguir para uma pequena estrutura próxima às Cataratas. Mais do que uma simples visita, a presença de Santos Dumont teve impacto direto na valorização da área. Segundo Micael Alvino da Silva, após conhecer o local, o inventor decidiu seguir até Curitiba para uma audiência com o então governador do Paraná, Afonso Camargo, defendendo a necessidade de proteger os Saltos do Iguaçu.
Poucos meses depois, a área começou a ser desapropriada, marcando um passo importante para a criação do parque nacional que viria a ser oficializado anos mais tarde. Em 24 de abril de 2026, completaram-se 110 anos da visita de Santos Dumont às Cataratas do Iguaçu, episódio que ajudou a impulsionar a preservação de um dos cenários naturais mais importantes do Brasil.
Legado e reconhecimento
Para o presidente do Visit Iguassu, Wolney Biesdorf, relembrar essa trajetória é fundamental para compreender o valor do destino. “O Parque Nacional do Iguaçu é resultado de uma visão que atravessou gerações. Resgatar a história de nomes como Rebouças e Santos Dumont reforça o quanto o planejamento e a valorização do nosso patrimônio natural são essenciais para o desenvolvimento sustentável do destino”, destaca.
Para mais informações sobre o destino Iguaçu, acesse o site do Visit Iguassu.



