Focos de calor no Amazonas caem 82% em 2025 e atingem menor nível em 23 anos
Amazonas tem menor número de focos de calor em 23 anos

O estado do Amazonas alcançou um marco histórico no combate às queimadas em 2025. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o número anual de focos de calor registrados foi o menor desde o início da série histórica do atual sistema de monitoramento, iniciada em 2002. Pela primeira vez em 23 anos, o total ficou abaixo de 5 mil registros, consolidando uma redução expressiva nas queimadas.

Queda histórica e números recordes

Ao longo de todo o ano de 2025, o Amazonas contabilizou 4.545 focos de calor, entre os meses de janeiro e dezembro. Esse número representa uma redução de 82,18% em relação a 2024, quando o estado havia registrado 25.499 focos. Trata-se da maior queda percentual desde o começo do acompanhamento contínuo realizado pelo Inpe.

Com esse desempenho, o Amazonas ocupou a 5ª posição no ranking de focos de calor entre os estados da Amazônia Legal, respondendo por apenas 6% do total registrado em toda a região. A análise da distribuição dessas ocorrências em 2025 revela que:

  • 704 focos (15,49%) ocorreram em áreas de gestão direta do estado.
  • 2.788 focos (61,34%) foram registrados em áreas federais.
  • 1.053 focos (23,17%) aconteceram em vazios cartográficos.

Estratégia integrada e investimentos

O secretário de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira, atribuiu o resultado expressivo a uma combinação de fatores climáticos favoráveis e, principalmente, a investimentos robustos em estrutura, tecnologia e integração entre órgãos estaduais. O apoio financeiro do Fundo Amazônia e de parceiros internacionais, como o banco alemão KfW, foi apontado como decisivo para fortalecer a capacidade operacional do estado.

“Ampliamos a presença do Corpo de Bombeiros em mais de 90% dos municípios críticos. Essa atuação integrada tem permitido respostas rápidas, prevenção ao desmatamento ilegal e colocou o Amazonas entre os estados com menor participação nos focos de calor da Amazônia”, destacou Taveira.

O diretor-presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Gustavo Picanço, reforçou a importância do monitoramento técnico. “O acompanhamento diário dos dados do Inpe, aliado à análise das áreas mais suscetíveis e ao direcionamento das ações de fiscalização preventiva, permitiu reduzir ocorrências e evitar a formação de novos focos em regiões sensíveis”, afirmou.

Ampliação da presença do Corpo de Bombeiros

Um dos pilares do sucesso foi a significativa ampliação da presença do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) no interior do estado. Em 2025, a corporação dobrou o número de municípios com sua presença fixa, saltando de 11 para 22 cidades consideradas críticas.

Esses novos municípios receberam viaturas Auto Bomba Tanque (ABT), com capacidade para 10 mil litros de água, além de equipamentos especializados e efetivo militar. A ação foi viabilizada por meio dos Grupamentos Integrados de Combate a Incêndio e Proteção Civil (GCIP), implantados em parceria com as prefeituras locais.

O comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, explicou o impacto: “A presença do Corpo de Bombeiros com estruturas novas, com Bombeiros Militares, em um trabalho coordenado com as prefeituras, dá ao poder público uma capacidade de resposta muito expressiva, o que resulta na redução dos números”.

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e o Ipaam monitoram e analisam os dados de focos de calor diariamente, utilizando essas informações para orientar políticas ambientais e ações de combate direto em campo. O resultado de 2025 não apenas estabelece um recorde histórico de redução, mas também serve como um modelo de gestão integrada que combate fiscalização, tecnologia e resposta rápida para proteger a floresta.