Pesquisadores criam pistola de ar para combater coral-sol invasor no Brasil
Pistola de ar contra coral-sol invasor é criada por pesquisadores

Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) desenvolveram uma pistola de ar comprimido para combater o coral-sol, uma espécie invasora que ameaça a biodiversidade marinha na costa brasileira. A nova ferramenta remove apenas o tecido vivo do coral, sem arrancá-lo das rochas, oferecendo uma alternativa mais eficiente e menos agressiva em comparação aos métodos tradicionais.

Substituição de métodos tradicionais

Atualmente, a remoção dos corais é feita manualmente, com martelos e estacas. A pistola de ar comprimido surge como uma inovação que substitui esses instrumentos, apresentando resultados positivos após quatro anos de experimentos no litoral de São Paulo. O estudo foi publicado recentemente em uma revista científica, validando a eficácia da técnica.

De acordo com o coautor do estudo e professor da Unifesp, Guilherme Henrique Pereira Filho, a publicação representa uma conquista importante no rito científico. “Significa que os resultados foram avaliados por pares, por outros pesquisadores e editores da revista, e consideraram os resultados válidos. Agora temos segurança para começar a usar essa ferramenta em outras áreas na prática”, afirmou em entrevista.

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Ameaça do coral-sol

Natural do Oceano Pacífico, o coral-sol é considerado invasor em águas brasileiras desde 1980, quando foi avistado pela primeira vez no país. Sua rápida propagação ameaça a biodiversidade marinha, pois compete por espaço com espécies nativas. No Parque Estadual Laje de Santos, composto por formações rochosas submersas, o coral-sol é monitorado desde 2012. O gestor do parque, José Edmilson de Araújo, explicou que a equipe busca a melhor forma de manejo. “A preocupação é retirá-lo, porque ele acaba matando as espécies nativas”, disse.

Origem da ideia

A pistola de ar comprimido foi desenvolvida a partir do trabalho de Gustavo Henrique Piazzaroli Leite, mestrando em Biodiversidade e Ecologia Marinha pela Unifesp. “A ideia nasceu de um conceito acadêmico simples: separar o tecido do esqueleto calcário. Mas a prática é mais complexa e exige cuidado experimental”, afirmou. O professor Guilherme contou que a inspiração veio da observação do branqueamento de corais em uma formação rochosa frequentada por mergulhadores. “As bolhas geradas pelos cilindros batiam no coral, e surgiu a ideia de jogar ar diretamente nele”, explicou.

Testes e resultados

Os experimentos foram divididos em duas fases. Primeiro, os pesquisadores usaram a pistola em corais no ambiente natural e retornaram meses depois para verificar se os animais haviam sido eliminados ou se havia novo crescimento. Em seguida, testaram em laboratório a capacidade de regeneração do tecido removido. “O resultado foi muito positivo: os tecidos são incapazes de regenerar novas colônias”, afirmou Guilherme. O estudante Gustavo considerou a experiência uma “oportunidade incrível” de transformar conhecimento teórico em solução real. “Ver que uma ideia simples pode gerar um resultado tão importante para a conservação marinha foi muito gratificante”, destacou.

Desafios futuros

O método é promissor por sua simplicidade e potencial para controle da espécie invasora. No entanto, novos desafios surgem para ampliar sua eficácia. “Precisamos medir o uso em grandes áreas e ver como acoplar o jato a outros equipamentos para automatizar ou acelerar o processo. Isso requer novas pesquisas”, finalizou Guilherme.

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