G7 fica para trás em energia limpa enquanto China lidera expansão global de eólica e solar
Desenvolvimento de projetos bate recorde em 2025, impulsionado por países em desenvolvimento, segundo relatório do Global Energy Monitor.
Por Ernesto Neves 10 fev 2026, 12h42 • Atualizado em 10 fev 2026, 12h44
Em 2025, os países do G7 – Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Canadá e Japão – ficaram notavelmente atrás da China e do restante do mundo na expansão de energia eólica e solar, de acordo com dados do Global Energy Monitor (GEM).
O volume de capacidade em construção ou planejada globalmente atingiu 4.900 gigawatts (GW), um recorde histórico, e registrou crescimento de 500 GW (11%) em relação a 2024. O aumento foi liderado majoritariamente por economias emergentes e em desenvolvimento.
Só a China concentra mais de 1.500 GW, equivalente à soma das próximas seis maiores potências em energia renovável:
- Brasil (401 GW)
- Austrália (368 GW)
- Índia (234 GW)
- Estados Unidos (226 GW)
- Espanha (165 GW)
- Filipinas (146 GW)
Em contraste, os países do G7 representam apenas 520 GW, cerca de 11% do pipeline global, apesar de concentrarem metade da riqueza mundial.
Mudança no centro de gravidade da energia limpa
O centro de gravidade da nova energia limpa mudou decisivamente para economias emergentes, e os países do G7, mesmo sendo ricos, ficaram atrás da China e do resto do mundo na expansão prevista de capacidade ano a ano, afirmou Diren Kocakuşak, analista do GEM.
O relatório destaca que, enquanto China, Índia e outros países aceleram a implementação de projetos, a expansão de vento e solar nos países do G7 permaneceu praticamente estável desde 2023.
Segundo o GEM, dos 4.900 GW planejados ou em construção, 2.700 GW correspondem a energia eólica e 2.200 GW a solar em larga escala.
Desaceleração no crescimento e barreiras políticas
A taxa de crescimento global desacelerou de 22% em 2024 para 11% em 2025, com queda mais acentuada em projetos eólicos, devido a barreiras políticas e leilões fracassados.
Por exemplo, leilões de subsídios para energia eólica offshore na Alemanha e na Holanda não atraíram lances em 2025, e na Dinamarca o leilão foi cancelado após não haver interessados em 2024.
O cenário é crítico para o cumprimento das metas de energia renovável estabelecidas na COP28, em 2023, quando os países se comprometeram a triplicar a capacidade global de energia renovável até 2030.
Metas climáticas em risco
Segundo a Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), seria necessário instalar anualmente 317 GW de eólica e 735 GW de solar para atingir esse objetivo.
Em 2025, 758 GW de projetos estavam em construção, com três quartos concentrados na China e na Índia. Ambos os países também reduziram a geração de eletricidade a partir do carvão, segundo análise recente do Carbon Brief.
A política industrial chinesa combina subsídios robustos, integração da cadeia de suprimentos e investimentos estratégicos em fabricação de equipamentos, dando ao país vantagem competitiva duradoura frente às economias do G7.
Por outro lado, especialistas da IEA apontam que a estagnação do G7 pode comprometer metas climáticas globais, caso os investimentos em renováveis não acelerem.
Dados e perspectivas futuras
O relatório do GEM utiliza dados do Global Solar Power Tracker, que considera projetos solares acima de 1 MW, e do Global Wind Power Tracker, para turbinas eólicas acima de 10 MW.
O crescimento da energia renovável nos próximos cinco anos será determinante para o cumprimento das metas climáticas internacionais, reforçando a urgência de políticas de incentivo consistentes, especialmente nos países mais ricos, que até agora têm ficado para trás em relação às economias emergentes.



