Especialista em energia faz alerta sobre papel das baterias no sistema brasileiro
Em meio à crescente expectativa pelos leilões energéticos previstos para 2026, o debate sobre o futuro da matriz elétrica brasileira ganha novos contornos. Adriano Pires, fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), participou do programa "Amarelas On Air" da revista Veja e fez um alerta importante: as baterias devem ser vistas como ferramentas de apoio, mas não como substitutas das usinas térmicas na garantia da segurança energética do país.
Leilões de 2026 geram disputa por demanda entre modelos
O setor energético brasileiro aguarda com ansiedade dois eventos cruciais: o Leilão de Reserva de Capacidade na forma de potência (LRCap), marcado para 18 de março de 2026, e o primeiro leilão nacional voltado especificamente para baterias, previsto para abril do mesmo ano. Ambos são realizados pelo governo federal com o objetivo claro de garantir potência firme em situações de pico de consumo ou quando as hidrelétricas apresentam insuficiência na geração.
Recentemente, entidades representativas do setor de baterias têm intensificado a defesa pela ampliação da demanda direcionada a esse modelo de armazenamento. No entanto, Adriano Pires apresenta uma visão mais cautelosa sobre essa tendência. "As baterias têm um potencial interessante e podem ajudar no melhor aproveitamento de energia excedente solar e eólica", reconhece o especialista. "Mas é fundamental entender que elas não produzem energia, apenas armazenam. Os leilões têm o objetivo primordial de garantir segurança energética em momentos de estresse do sistema, e as baterias ainda estão cercadas de incertezas técnicas e operacionais que colocam em risco justamente esse fim", explica com clareza.
Usinas térmicas mantêm papel central na confiabilidade do sistema
Para o fundador do CBIE, as usinas térmicas continuam sendo a forma mais confiável e comprovada para certificar a segurança do sistema energético brasileiro. "Não podemos abrir mão de um modelo que vem sendo utilizado de forma estável e eficiente há décadas para priorizar outro que não teve sua confiabilidade demonstrada em grande escala", argumenta Pires. "Substituir as térmicas por baterias de forma prematura poderia expor todo o sistema a vulnerabilidades imprevisíveis, fazendo com que os próprios leilões perdessem seu sentido original de garantir estabilidade energética".
O especialista enfatiza que a inclusão das baterias no sistema deve ser feita de maneira gradual e estratégica, sempre como complemento às fontes tradicionais de geração. A transição energética precisa equilibrar inovação com segurança operacional, evitando riscos desnecessários à continuidade do fornecimento de eletricidade em todo o território nacional.
Com os leilões se aproximando, a discussão sobre o equilíbrio entre novas tecnologias e infraestrutura consolidada promete aquecer ainda mais o debate no setor energético brasileiro. A posição defendida por Adriano Pires ressalta a importância de uma abordagem pragmática que não comprometa a confiabilidade do sistema em nome da modernização tecnológica.



