AIE pede liberação coordenada de reservas de petróleo para conter preços globais
AIE pede liberação de reservas de petróleo para conter preços

AIE solicita liberação coordenada de reservas de petróleo para estabilizar mercado global

A Agência Internacional de Energia (AIE) fez um pedido formal para que os países realizem uma liberação coordenada de suas reservas emergenciais de petróleo, conforme revelado pela ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, nesta segunda-feira (9). O anúncio ocorreu após uma reunião online com os ministros das Finanças do G7, o grupo das sete democracias mais ricas do mundo.

Medida visa conter preços e garantir fornecimento energético

A iniciativa tem como objetivo principal apoiar o fornecimento global de energia e conter a escalada dos preços da commodity, que atingiram patamares não vistos desde meados de 2022. Katayama afirmou que "a AIE pediu que cada país realizasse uma liberação coordenada de reservas de petróleo" e que "o G7 concordou em continuar monitorando de perto os desenvolvimentos no mercado de energia e em tomar as medidas necessárias".

Envolvimento de múltiplas organizações internacionais

Além dos ministros do G7 e representantes da AIE, a reunião contou com a participação de executivos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI). O ministro das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil, reforçou que todos estão acompanhando atentamente os desdobramentos nos mercados financeiros, comerciais e energéticos.

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"Veremos se e quando será o momento certo para seguir essa opção estratégica", declarou Klingbeil, indicando que a implementação da medida dependerá da evolução do mercado do petróleo.

Contexto de tensões geopolíticas e alta dos preços

Os preços do petróleo dispararam nesta segunda-feira (9) devido a uma combinação de fatores preocupantes:

  • Redução da oferta por parte de alguns dos principais produtores mundiais
  • Temores de interrupções prolongadas no transporte marítimo
  • Crescente conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã

Segundo Katayama, o G7 realizará em breve uma reunião de ministros da energia para discutir novas medidas e estratégias para enfrentar a crise energética.

Reservas estratégicas dos países do G7

Os países membros da AIE que são importadores líquidos de petróleo têm a obrigação de manter estoques equivalentes a pelo menos 90 dias de importações. Abaixo, detalhamos as reservas de emergência dos países do G7:

  1. Estados Unidos: 415,4 milhões de barris na Reserva Estratégica de Petróleo (dados de 27 de fevereiro) mais 439,3 milhões de barris em reservas comerciais privadas.
  2. Japão: 260 milhões de barris em estoques governamentais (equivalente a 146 dias de importações) e aproximadamente 470 milhões de barris totais no país.
  3. Alemanha: 110 milhões de barris de petróleo bruto e 67 milhões de barris de produtos refinados, com capacidade de liberação em poucos dias.
  4. França: Cerca de 120 milhões de barris de petróleo bruto e derivados, sendo 97 milhões detidos pela entidade governamental SAGESS.
  5. Itália: Reservas obrigatórias de aproximadamente 76 milhões de barris (equivalente a 90 dias de importações líquidas).
  6. Reino Unido: Cerca de 38 milhões de barris de petróleo bruto e 30 milhões de barris de produtos refinados.

O Canadá, como exportador líquido de petróleo e quarto maior produtor mundial, não possui reservas estratégicas obrigatórias pela AIE, bombeando mais de 5 milhões de barris por dia com a maior parte destinada aos Estados Unidos.

Vale destacar que a quantidade que pode ser liberada diariamente por cada país é limitada pela infraestrutura local disponível, o que adiciona complexidade à coordenação internacional proposta pela Agência Internacional de Energia.

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