O vereador Tiago Peretto, do partido União, apresentou um projeto de lei na Câmara Municipal de São Vicente, localizada no litoral paulista, com o objetivo de estabelecer um grupamento especializado dentro da Guarda Civil Municipal (GCM) dedicado exclusivamente ao atendimento de ocorrências envolvendo maus-tratos contra animais. A iniciativa, batizada de "Cãozinho Orelha", foi formalizada na última quarta-feira, dia 4, e já foi encaminhada para a Comissão de Justiça e Redação da casa legislativa, que dispõe de um prazo regimental de quinze dias para realizar a análise preliminar do texto.
Inspiração e Contexto do Projeto
Segundo o parlamentar, a ideia de criar essa patrulha especializada surgiu como uma resposta direta ao trágico episódio que resultou na morte do cão Orelha, um animal comunitário que foi brutalmente agredido no dia 4 de janeiro na Praia Brava, em Florianópolis, Santa Catarina. O caso, que ganhou ampla repercussão nacional, mobilizou a sociedade e evidenciou a necessidade de medidas mais eficazes para a proteção animal. A Polícia Civil identificou um adolescente de 15 anos como o responsável pelas agressões, reforçando a urgência de ações preventivas e punitivas.
Detalhes da Proposta Legislativa
O projeto de lei prevê a criação da Patrulha de Proteção Animal da GCM, que contaria com uma viatura fixa devidamente caracterizada e uma equipe exclusiva para receber e investigar denúncias de maus-tratos. Os agentes designados para essa função seriam, preferencialmente, capacitados em áreas essenciais como legislação ambiental, bem-estar animal e técnicas de manejo seguro, garantindo uma atuação técnica e humanizada.
Conforme o texto apresentado à câmara, as atribuições dessa patrulha incluiriam:
- Atuação em casos de maus-tratos, abuso e abandono de animais.
- Realização de resgates de animais em situação de risco.
- Ações conjuntas com órgãos ambientais e outras autoridades competentes.
- Habilitação para encaminhar ocorrências à Polícia Civil e ao Ministério Público, assegurando o devido processo legal.
Impacto e Justificativa
Tiago Peretto destacou que, além de promover a proteção animal, a medida contribui significativamente para a segurança pública, uma vez que existe uma reconhecida correlação entre a violência contra animais e a prática de outros crimes. Em suas palavras, "Trata-se de um avanço humanitário, preventivo e educativo, reafirmando o compromisso do município com a vida, a justiça e o respeito". Essa abordagem integrada visa não apenas punir os infratores, mas também educar a comunidade e prevenir futuros incidentes.
Quem Era o Cão Orelha?
Orelha era um cão comunitário que vivia há aproximadamente dez anos na Praia Brava, um conhecido ponto turístico localizado no Norte da Ilha de Santa Catarina, em Florianópolis. Ele era cuidado coletivamente pelos moradores da região, que se revezavam na alimentação e nos cuidados, juntamente com outros dois cachorros considerados mascotes do local. Para abrigar esses animais, foram construídas três casinhas na praia, sendo uma delas ocupada por Orelha.
Segundo relatos da médica veterinária Fernanda Oliveira, que acompanhava o animal, Orelha era "sinônimo de alegria", descrito como dócil e brincalhão, conquistando a simpatia tanto dos residentes quanto dos turistas. Ele tinha o hábito característico de abaixar as orelhas e se deitar para receber carinho, tornando-se uma figura querida por todos. O vazio deixado em sua casinha após sua morte trouxe profunda tristeza à comunidade, evidenciando o impacto emocional e social de sua perda.
A história de Orelha, portanto, não apenas inspira a proposta legislativa em São Vicente, mas também serve como um poderoso lembrete da importância de valorizar e proteger a vida animal em todo o país. Com o projeto em análise, espera-se que outras cidades possam seguir o exemplo, fortalecendo as redes de proteção e promovendo um ambiente mais seguro e compassivo para todos os seres vivos.



